Pesquisa identificou 11 regiões do DNA associadas ao transtorno de personalidade borderline e reforça que fatores biológicos também podem ter papel no desenvolvimento da condição
Um dos maiores estudos genéticos já realizados sobre o transtorno de personalidade borderline (TPB) encontrou evidências de que a condição pode ter influência de fatores hereditários. A pesquisa, publicada na revista científica Nature Genetics, identificou 11 regiões do genoma humano relacionadas ao transtorno.
O resultado indica que o borderline não está ligado apenas a fatores ambientais, como experiências de vida e contexto social, mas também pode envolver componentes biológicos.
O transtorno de personalidade borderline é uma condição psiquiátrica marcada por intensa instabilidade emocional, impulsividade, dificuldade nos relacionamentos e medo elevado de abandono. Os sintomas costumam surgir no início da vida adulta e podem afetar diferentes áreas da rotina.
Segundo estimativas, o TPB pode atingir até 2% da população em países ocidentais. Mulheres têm cerca de três vezes mais chances de receber o diagnóstico em comparação aos homens.
Como o estudo foi realizado
Os pesquisadores reuniram dados de 27 estudos diferentes, envolvendo informações genéticas e de saúde de milhares de pessoas. Na primeira etapa da análise, foram comparados os dados de 12.339 pessoas diagnosticadas com borderline com os de mais de 1 milhão de pessoas sem o transtorno.
A equipe identificou seis regiões do DNA que apareciam com maior frequência entre pessoas com TPB. Em uma segunda análise, com outros grupos de participantes, essas regiões foram confirmadas e outras cinco áreas foram acrescentadas, totalizando 11 regiões genéticas associadas ao transtorno.
Os cientistas também observaram que algumas variantes genéticas relacionadas ao borderline apresentam ligação com outras condições psiquiátricas, como depressão, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e comportamento antissocial.
A associação genética mais forte encontrada foi com o transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), indicando possíveis conexões entre fatores biológicos e experiências traumáticas.
Genética explica apenas parte do risco
Apesar da descoberta, os pesquisadores destacam que a genética não é responsável sozinha pelo desenvolvimento do transtorno. As variantes identificadas explicam aproximadamente 17% do risco hereditário associado ao diagnóstico.
O estudo representa um avanço para compreender melhor a origem do borderline e pode contribuir para pesquisas futuras sobre diagnóstico e tratamento, mas ainda não permite prever se uma pessoa desenvolverá a condição apenas com base em informações genéticas.
Os especialistas também reforçam que os resultados não significam a criação de testes genéticos para diagnóstico do transtorno neste momento. O desenvolvimento do TPB continua sendo entendido como resultado da interação entre fatores biológicos, psicológicos e ambientais.