Um ano após a morte da cantora Preta Gil em decorrência de um câncer colorretal, a doença voltou ao centro das discussões no Brasil. O tema ganhou destaque novamente em meio às homenagens à artista e também preocupa especialistas pelo aumento de casos entre pessoas mais jovens.
Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar cerca de 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano entre 2026 e 2028. Atualmente, a doença já ocupa a terceira posição entre os tipos de câncer mais frequentes no país, desconsiderando os tumores de pele não melanoma.
Além do crescimento no número de diagnósticos, médicos chamam atenção para uma mudança no perfil dos pacientes. Antes considerado mais comum em idosos, o câncer colorretal tem sido identificado com maior frequência em adultos mais jovens, cenário observado também em outros países.
Para o oncologista Dr. Abner Jácome Barrozo, do IBCC Oncologia, esse aumento reforça a necessidade de ampliar os cuidados preventivos.
"O câncer colorretal é uma doença que, em muitos casos, pode ser prevenida ou identificada precocemente por meio do rastreamento. Além disso, fatores ligados ao estilo de vida, como sedentarismo, obesidade e alimentação inadequada, têm contribuído para esse cenário", explica.
Sinais que merecem atenção
Os especialistas alertam que alguns sintomas não devem ser ignorados, principalmente quando persistem por vários dias ou semanas. Entre eles estão:
Embora esses sinais possam estar relacionados a outras doenças, é fundamental procurar avaliação médica para investigação.
Diagnóstico precoce aumenta as chances de cura
Segundo o especialista, identificar o câncer nas fases iniciais faz toda a diferença no tratamento.
"Quando descoberto precocemente, o câncer colorretal apresenta chances muito maiores de cura e, muitas vezes, permite tratamentos menos agressivos", afirma.
Outro ponto importante é que muitos tumores surgem a partir de pólipos intestinais, que podem ser encontrados e removidos antes de evoluírem para câncer.
Colonoscopia também ajuda a prevenir
Apesar de muitas pessoas associarem a colonoscopia apenas ao diagnóstico, o exame também tem papel preventivo.
Durante o procedimento, o médico consegue visualizar o intestino grosso, identificar pólipos e removê-los imediatamente, interrompendo a evolução da doença antes mesmo do surgimento do câncer.
Para pessoas sem fatores de risco, a recomendação é conversar com o médico sobre o início do rastreamento a partir dos 45 anos. Já quem possui histórico familiar da doença, doenças inflamatórias intestinais ou apresenta sintomas pode precisar iniciar a investigação mais cedo.
Estilo de vida influencia diretamente
Especialistas também reforçam que hábitos saudáveis ajudam a reduzir o risco de desenvolver a doença.
Entre as principais recomendações estão:
Segundo o Dr. Abner, a prevenção depende da combinação de hábitos saudáveis com o rastreamento na idade indicada.
"O câncer colorretal é um dos tumores em que a prevenção realmente faz diferença. Manter uma rotina saudável e realizar os exames no momento adequado aumenta significativamente as chances de evitar ou detectar precocemente a doença", conclui.