O Brasil pode passar a ocupar a segunda posição entre os países mais taxados pelos Estados Unidos caso o novo pacote de tarifas proposto pelo governo de Donald Trump seja confirmado nesta quarta-feira (15). A projeção é de um levantamento do Global Trade Alert (GTA), que aponta que o país ficaria atrás apenas da China.
Pelos cálculos do estudo, a tarifa média efetiva sobre produtos brasileiros subiria de 11,73% para 18,89%, elevando o Brasil da 13ª para a 2ª posição no ranking dos principais fornecedores mais taxados pelos norte-americanos.
A China permaneceria no topo, com tarifa média de 27,13%. O Brasil passaria à frente de países como Turquia, Vietnã, Índia, Japão e Coreia do Sul, além de registrar alíquota superior à aplicada a importantes economias europeias, como Alemanha, Itália e Reino Unido.
Em 2024, os Estados Unidos importaram cerca de US$ 39,6 bilhões em produtos brasileiros, o equivalente a aproximadamente R$ 201,5 bilhões, tornando o Brasil o 17º maior fornecedor do mercado americano.
Por que os EUA querem taxar o Brasil?
A possível sobretaxa é resultado de uma investigação conduzida pelo governo americano com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, que permite a adoção de medidas contra países considerados responsáveis por práticas comerciais consideradas injustas ou discriminatórias.
Entre os pontos questionados pelos EUA estão políticas relacionadas ao comércio digital, meios de pagamento eletrônicos, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e desmatamento ilegal.
O governo brasileiro rejeita as acusações e afirma que não há justificativa para a imposição das tarifas. Brasília também considera o mecanismo utilizado pelos Estados Unidos uma medida unilateral e defende que eventuais divergências sejam resolvidas por meio do diálogo e das regras do comércio internacional.
Decisão deve sair nesta quarta-feira
Brasil e Estados Unidos mantêm negociações desde maio, quando foi criado um grupo de trabalho para discutir as pendências comerciais entre os dois países. A quinta rodada de reuniões ocorreu nesta terça-feira (14).
O governo americano deverá anunciar nesta quarta-feira (15) a decisão final sobre a investigação, definindo se o novo tarifaço será aplicado e quais produtos brasileiros poderão ser atingidos pela medida.