NA INFORMALIDADE

Três em cada quatro trabalhadoras domésticas estão sem carteira assinada no Brasil

Categoria reúne 5,6 milhões de pessoas, das quais 92% são mulheres; campanha nacional intensifica fiscalização contra informalidade, assédio e condições degradantes

Publicado em 21/07/2026 às 16:15
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Três em cada quatro trabalhadoras domésticas atuam sem carteira assinada no Brasil. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, referentes ao quarto trimestre de 2025, mostram que 76% das profissionais da categoria não tinham vínculo formal e 65% não contribuíam para a Previdência Social.

O país tinha 5,6 milhões de pessoas ocupadas no trabalho doméstico no período. Desse total, 92% eram mulheres, o equivalente a aproximadamente 5,1 milhões de trabalhadoras. Entre elas, 68% eram mulheres negras.

Os números integram a mobilização do Dia Internacional do Trabalho Doméstico e reforçam a Campanha Nacional de Fiscalização do Trabalho Doméstico 2026, promovida pela Auditoria-Fiscal do Trabalho. Neste ano, a iniciativa tem como tema “Saúde e Segurança São Direitos Humanos”.

A campanha prevê fiscalizações das relações de trabalho doméstico remunerado em todo o país, além de ações de orientação a trabalhadores e empregadores. O foco está no cumprimento dos direitos trabalhistas, na formalização dos vínculos e na prevenção de acidentes, adoecimentos ocupacionais, violência, assédio, discriminação e riscos psicossociais.

O trabalho doméstico inclui atividades como cuidado de crianças, idosos e pessoas com deficiência, limpeza e organização de residências, preparo de alimentos, condução de veículos e serviços de manutenção.

Apesar da importância da categoria, os indicadores revelam diferenças expressivas de renda. O rendimento médio mensal das trabalhadoras domésticas era de R$ 1.335, valor 59% menor que o recebido, em média, pelas demais mulheres ocupadas. A diferença representa aproximadamente R$ 23 mil por ano.

Entre as trabalhadoras domésticas negras, a renda média mensal era de R$ 1.274. Entre as não negras, o valor chegava a R$ 1.463.

A vulnerabilidade econômica também aparece nas condições de vida. Em 2024, 25% das trabalhadoras domésticas estavam em situação de pobreza. Desse total, 19% eram consideradas pobres e 6% viviam em extrema pobreza. Além disso, 58% eram chefes de família.

*Minas teve 33 trabalhadores domésticos resgatados*

A informalidade e a falta de proteção também podem encobrir situações de exploração extrema. Entre 2017 e 2025, a Inspeção do Trabalho resgatou cerca de 178 trabalhadores domésticos submetidos a condições análogas à escravidão em residências urbanas e propriedades rurais.

Minas Gerais registrou 33 resgates no período. O número ficou abaixo apenas da Bahia, com 42 casos, e de São Paulo, com 35. Rio de Janeiro contabilizou 21 resgates e o Rio Grande do Sul, 16.

Segundo a Auditoria-Fiscal do Trabalho, as ocorrências podem envolver jornadas exaustivas, isolamento social, falta de pagamento, retenção de documentos, restrição de liberdade e condições degradantes de moradia ou trabalho. Em alguns casos, a exploração se prolonga por décadas.

A legislação brasileira não exige que exista restrição direta de liberdade para a caracterização do trabalho em condição análoga à escravidão. Jornadas exaustivas, condições degradantes e outras formas de superexploração também podem configurar o crime.

Desenvolvida desde 2022, a campanha permanente busca combater essas violações e ampliar a proteção social da categoria. As ações de 2026 foram lançadas nos dias 24 e 25 de abril, em Belém, no Pará, durante encontro de auditores-fiscais, entidades sindicais, instituições públicas e organizações da sociedade civil.

A mobilização deve continuar ao longo do ano com fiscalizações, ações educativas e iniciativas para incentivar a formalização do trabalho doméstico.

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