Pesquisa com mais de 229 mil pessoas sem diabetes identificou menor incidência de tumores associados à obesidade entre usuários de medicamentos da classe GLP-1
Medicamentos amplamente utilizados para emagrecimento, como Ozempic e Mounjaro, foram associados a uma redução significativa no risco de desenvolvimento de cânceres relacionados à obesidade. A conclusão é de um estudo publicado na revista científica Annals of Oncology, que analisou dados de mais de 229 mil adultos obesos e sem diabetes nos Estados Unidos.
Segundo os pesquisadores, pessoas tratadas com medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1 apresentaram uma incidência menor de tumores associados ao excesso de peso quando comparadas àquelas que receberam apenas orientações sobre dieta e prática de exercícios físicos.
O estudo é apontado pelos autores como o primeiro a avaliar exclusivamente a relação entre esses medicamentos e o risco de câncer em indivíduos obesos sem diabetes, grupo que tem impulsionado o crescimento do uso dessas terapias para perda de peso nos últimos anos.
Para a pesquisa, foram utilizados dados da plataforma TriNetX, que reúne informações médicas de aproximadamente 113 milhões de pacientes nos Estados Unidos. Após critérios de seleção e pareamento estatístico, os cientistas compararam dois grupos equivalentes de 80.899 pacientes cada.
A análise apontou um risco relativo cerca de 41% menor de desenvolvimento de cânceres relacionados à obesidade entre os usuários dos medicamentos GLP-1 durante o período de acompanhamento. O resultado foi observado de forma consistente em homens, mulheres e pessoas com diferentes níveis de obesidade.
Atualmente, especialistas reconhecem ao menos 13 tipos de câncer associados ao excesso de peso corporal, incluindo tumores de mama pós-menopausa, endométrio, cólon e reto, fígado, pâncreas, rim, ovário e tireoide.
Os pesquisadores também avaliaram medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida, princípios ativos presentes em produtos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro. Segundo o estudo, a associação com menor incidência de câncer foi observada em usuários de ambos os tratamentos.
Entre as hipóteses levantadas para explicar os resultados estão a redução da gordura corporal, que diminui processos inflamatórios ligados ao desenvolvimento de tumores, e possíveis efeitos biológicos diretos dos medicamentos sobre células cancerígenas.
Apesar dos resultados considerados promissores, os autores ressaltam que a pesquisa não comprova uma relação de causa e efeito. Como se trata de um estudo observacional baseado em registros médicos, serão necessários novos ensaios clínicos e acompanhamentos mais longos para confirmar se os medicamentos realmente exercem papel direto na prevenção desses tipos de câncer.
Os pesquisadores defendem que os resultados reforçam a necessidade de novas investigações sobre o potencial dos agonistas de GLP-1 não apenas no tratamento da obesidade, mas também na prevenção de doenças associadas ao excesso de peso.