VIOLÊNCIA

Pesquisa aponta que 56% das mulheres trans já sofreram violência no Brasil

Levantamento do DataSenado revela altos índices de agressões verbais, físicas, sexuais e violência doméstica contra mulheres trans e travestis.

Publicado em 28/06/2026 às 14:08
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Mais da metade das mulheres transexuais e travestis entrevistadas na 11ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher afirmaram ter sofrido algum tipo de violência nos últimos 12 meses. O levantamento, realizado pelo DataSenado em parceria com o Instituto Nexus, mostra que 56% das participantes relataram episódios de violência, evidenciando a vulnerabilidade desse público no país.

Ao todo, 43 mulheres trans e travestis participaram da pesquisa, que passou a integrar o Mapa Nacional da Violência de Gênero do Observatório da Mulher contra a Violência.

Entre os casos mais frequentes, 40% das entrevistadas disseram ter sido vítimas de agressões verbais motivadas pela identidade de gênero. Além disso, 17% relataram agressões físicas e 12% afirmaram ter sofrido violência sexual.

Apesar dos índices elevados, apenas 9% das participantes declararam reconhecer que foram vítimas de violência de gênero. Segundo os responsáveis pelo estudo, esse dado pode indicar a naturalização das agressões no cotidiano dessas mulheres.

A pesquisa também revelou que a violência doméstica e familiar continua sendo uma realidade para grande parte das entrevistadas. Cerca de 47% afirmaram já ter sofrido esse tipo de violência, enquanto 77% disseram conhecer outra mulher trans ou travesti que passou pela mesma situação.

Entre as vítimas de violência doméstica, 95% relataram ter sofrido violência psicológica. Agressões físicas e morais foram mencionadas por 80% das entrevistadas, enquanto 45% sofreram violência sexual e 40% tiveram prejuízos patrimoniais.

Os impactos também foram sentidos em diferentes áreas da vida. Aproximadamente 70% afirmaram que a violência afetou a convivência social, 55% disseram que a rotina foi prejudicada, 45% relataram consequências na vida profissional e 35% apontaram impactos nos estudos.

Os dados reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção da violência e à proteção de mulheres trans e travestis, grupo que segue entre os mais vulneráveis à violência de gênero no Brasil.

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