O governo federal estuda reduzir o valor destinado aos Correios no Orçamento de 2027, medida que pode gerar dificuldades no cumprimento de compromissos assumidos com instituições financeiras que concederam empréstimos à estatal. A proposta em discussão prevê um aporte inferior a R$ 6 bilhões, montante abaixo do previsto em contrato.
A definição ainda não foi concluída, mas técnicos do governo avaliam alternativas para evitar desgastes com os bancos, como a liberação gradual de recursos ao longo do ano. A possibilidade, porém, enfrenta resistência dentro da própria equipe econômica devido às exigências contratuais.
O debate ocorre às vésperas do envio do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) ao Congresso Nacional, previsto para até 31 de agosto. Segundo integrantes do governo, a decisão sobre o valor do aporte deve ser tomada apenas nas próximas semanas.
O compromisso foi firmado durante a negociação de um empréstimo de R$ 12 bilhões obtido pelos Correios junto ao Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander. Na ocasião, o Ministério da Fazenda participou das tratativas e assumiu o compromisso de capitalizar a empresa até o fim de 2027 para garantir o plano de reequilíbrio financeiro.
Pelo contrato, a União deverá aportar pelo menos R$ 6 bilhões entre 2026 e 2027. Caso esse compromisso não seja cumprido, existe a possibilidade de vencimento antecipado da dívida, obrigando o pagamento imediato dos R$ 12 bilhões, acrescidos dos encargos previstos.
Até o momento, o governo não reservou recursos para esse fim no orçamento de 2026. Se esse cenário for mantido, todo o valor exigido pelo contrato precisará ser destinado no orçamento do próximo ano.
A inclusão desse aporte nas contas públicas exige espaço dentro das regras fiscais, o que pode obrigar o governo a reduzir despesas em outras áreas. Por outro lado, prever um valor menor neste momento evitaria a necessidade de anunciar cortes mais profundos em meio ao período eleitoral.
Enquanto discute o orçamento, os Correios também negociam uma nova operação de crédito, desta vez estimada em R$ 7 bilhões, para dar continuidade ao plano de reestruturação da empresa. Diferentemente do primeiro financiamento, a expectativa é que apenas bancos privados participem da nova captação.
Instituições como Citibank, Deutsche Bank, J.P. Morgan e ABC Brasil estão entre as que participaram das negociações. Representantes do Bank of America, BNP Paribas e Bank of China também mantiveram conversas com integrantes do governo e da direção da estatal.
A empresa enfrenta sucessivos resultados negativos. Em 2025, os Correios registraram prejuízo de R$ 8,5 bilhões. Já no primeiro trimestre de 2026, o déficit alcançou R$ 3,16 bilhões, valor superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, influenciado pelos custos do processo de reestruturação e pela regularização de contas pendentes.