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Cobra, macaco ou morcego morto na rua? Entenda por que você não deve tocar

Especialista explica que carcaças podem indicar doenças, surtos ou crimes ambientais e devem ser comunicadas às autoridades

Débora Meira
Publicado em 14/07/2026 às 09:15
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O período de estiagem e o aumento das queimadas elevam a ocorrência de animais silvestres mortos em rodovias, vias públicas e áreas urbanas. A combinação entre fogo, falta de água e alimento e o deslocamento forçado da fauna faz com que espécies como cobras, aves, capivaras, gambás e até tamanduás fiquem mais expostas a acidentes e outros fatores que levam à morte. 

A orientação dos especialistas é clara: ao encontrar um animal morto, a população deve evitar qualquer contato direto e acionar os órgãos responsáveis pelo recolhimento. 

Segundo o médico-veterinário Cláudio Yudi, especialista em animais silvestres, a estiagem provoca uma série de impactos que começam ainda dentro do habitat natural. "A estiagem reduz a umidade do solo e diminui a disponibilidade de abrigo e alimento, como frutos, folhas verdes e pequenos animais. Com isso, muitos animais acabam deixando seus habitats em busca de recursos", explica. 

Além da mortalidade causada diretamente pelas queimadas, com queimaduras e asfixia pela fumaça, o veterinário afirma que muitos animais morrem dias depois, em consequência da desidratação, fome, exaustão, infecções e perda de território. 

Outro fator importante é o deslocamento provocado pelos incêndios. "Os animais em fuga passam a utilizar áreas abertas e ambientes urbanos, aumentando os encontros com veículos e pessoas. No Triângulo Mineiro, onde há rodovias de grande movimento, esse cenário favorece os atropelamentos da fauna silvestre", destaca. 

Segundo Cláudio Yudi, o ideal é registrar o local, fotografar o animal à distância, se possível, e comunicar os órgãos competentes. "O ideal é não tocar no cadáver. No máximo, a pessoa pode isolar o local com algum objeto para evitar que crianças e animais domésticos se aproximem", orienta. 

O veterinário lembra que algumas espécies exigem atenção especial por integrarem programas de vigilância epidemiológica. 

Macacos mortos devem ser comunicados imediatamente às autoridades de saúde, já que funcionam como sentinelas da febre amarela. Já aves silvestres podem fazer parte do monitoramento da influenza aviária, enquanto morcegos jamais devem ser manipulados devido ao risco de transmissão da raiva. 

De acordo com o especialista, mamíferos podem transmitir o vírus da raiva, enquanto aves mortas podem estar relacionadas à influenza aviária. Também existe a possibilidade de exposição à febre maculosa por carrapatos presentes em capivaras e gambás, além de leptospirose, hantavírus e salmonelose, dependendo da espécie e das condições do ambiente. 

Por isso, a recomendação é nunca manipular o corpo sem equipamentos adequados. A definição do órgão responsável depende do tipo de animal e da situação. 

Segundo a Polícia Militar de Meio Ambiente, o recolhimento de animais silvestres mortos não é atribuição da corporação. "A Polícia Ambiental faz o recolhimento de animais silvestres vivos. Quando o animal já está morto, o recolhimento e o descarte são de responsabilidade da Prefeitura", informa a corporação. 

Já o Corpo de Bombeiros esclarece que realiza o resgate de animais silvestres feridos para encaminhamento ao Hospital Veterinário e captura animais silvestres em situação de risco para posterior soltura em habitat adequado. 

Nos casos de animais mortos em vias públicas, a orientação é acionar o serviço Cidade Ativa, pelos telefones 0800 940 0101 ou (34) 3318-0218, ligado a Superintendência de Bem-Estar Animal. 

Em rodovias, a recomendação é comunicar a concessionária responsável pela via ou a Polícia Rodoviária, para garantir a segurança do trânsito e o recolhimento adequado. 

Além de evitar acidentes, o recolhimento rápido permite que órgãos ambientais e de saúde investiguem a causa da morte quando necessário. 

Segundo Cláudio Yudi, carcaças recentes podem fornecer informações importantes para diagnóstico de doenças, surtos e até crimes ambientais. "Em casos de suspeita de envenenamento, maus-tratos ou mortes em grande quantidade, a população deve preservar o local, fotografar à distância e evitar mover o animal ou qualquer objeto próximo ao cadáver", orienta. 

O veterinário explica ainda que, conforme a decomposição avança, aumenta a presença de insetos, odores e líquidos provenientes da putrefação, reduzindo a possibilidade de realização de exames mais precisos e elevando os riscos sanitários e ambientais.

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