Enquanto a comunidade internacional mobiliza equipes de resgate e ajuda humanitária para atender as vítimas dos terremotos que atingiram a Venezuela, um voluntário de Uberaba se prepara para integrar a missão. Thiago Alves Pereira, conhecido como Thiago Sorrisão, embarca nesta sexta-feira (26) rumo ao país para atuar nas operações de busca, resgate e salvamento nas áreas mais afetadas.
Segundo o balanço mais recente divulgado pelo governo venezuelano, o número de mortos chegou a 589, com 2.980 feridos. Os terremotos, registrados na quarta-feira (24), provocaram o desabamento de edifícios, deixaram milhares de pessoas desabrigadas e mobilizaram equipes de ajuda de pelo menos 17 países. O governo brasileiro anunciou o envio de equipamentos para um hospital de campanha, purificadores de água, medicamentos e materiais médicos para auxiliar no atendimento às vítimas.
Com décadas de atuação em operações humanitárias, Thiago afirma que a decisão de seguir para a Venezuela não foi motivada por um convite, mas por um senso de dever. "Não foi uma oportunidade, foi um chamado. Se eu tenho condição de ajudar, eu levanto do sofá e vou. É a empatia que faz a gente agir", disse.
O voluntário já participou de missões em tragédias como os desastres de Mariana e Brumadinho, enchentes no Rio Grande do Sul, deslizamentos de terra em diferentes estados e ações de combate a incêndios florestais. Ele também esteve recentemente em Genebra, na Suíça, participando de debates sobre prevenção de desastres relacionados ao El Niño, quando foi surpreendido pelas notícias dos terremotos na Venezuela.
Thiago viaja de forma independente, custeando boa parte das despesas com recursos próprios e doações de amigos. Equipamentos, alimentação, barraca e demais itens necessários para a permanência em áreas de desastre fazem parte da bagagem. "A gente só tem a data de ir. Não sabe quando volta e nem se volta", resume.
Ao chegar ao país, ele pretende atuar na região considerada mais crítica, sempre sob coordenação das autoridades locais de emergência. Antes do embarque, aguardava apenas a confirmação da Força Aérea Brasileira para integrar uma das aeronaves que seguem transportando militares, equipes técnicas e equipamentos de apoio.
Apesar da experiência acumulada, Thiago reconhece que o impacto emocional das missões permanece. Ele relata conviver com estresse pós-traumático em razão das situações extremas vividas ao longo dos anos, mas afirma que continua motivado pelo desejo de salvar vidas. "Quando a gente chega em casa, relembra tudo o que viu. Mas, enquanto estou lá, meu foco é ajudar quem precisa."
Thiago também faz um alerta para que a população fique atenta a possíveis golpes. Segundo ele, em missões anteriores, como as de Brumadinho e das enchentes no Rio Grande do Sul, criminosos utilizaram seu nome para pedir dinheiro em redes sociais. "Eu nunca pedi Pix ou qualquer tipo de depósito. Se algum dia isso acontecer, eu mesmo vou avisar pelos meus canais oficiais", afirmou.
Quem desejar acompanhar a missão ou oferecer algum tipo de apoio deve entrar em contato diretamente com o voluntário por meio do perfil oficial no Instagram, @thiagosorrisao. Ele reforça que qualquer ajuda deve ser tratada apenas em conversa direta com ele, para evitar fraudes praticadas por terceiros.
Por fim, o voluntário fez um pedido à população. Segundo ele, além das doações, mensagens de apoio e orações também fazem diferença para quem atua nas áreas de desastre. "Quem eleva um pensamento positivo por nós também está fazendo trabalho voluntário."