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Vício em bets cresce e já leva pacientes à rede pública de saúde em Uberaba

CAPS AD oferece tratamento gratuito para pessoas que perderam o controle sobre apostas online

Débora Meira
Publicado em 14/06/2026 às 17:17Atualizado em 15/06/2026 às 06:55
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O avanço das apostas esportivas e dos jogos online tem começado a refletir também na rede pública de saúde de Uberaba. Embora a procura por tratamento ainda seja considerada baixa diante da dimensão do problema, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) afirma que houve aumento na identificação de casos relacionados à compulsão por apostas, tanto entre pacientes que buscam ajuda especificamente para o transtorno quanto entre aqueles já acompanhados por dependência de álcool e outras drogas. 

Segundo a pasta, o chamado Transtorno do Jogo, popularmente conhecido como vício em apostas ou bets, é reconhecido oficialmente como um transtorno comportamental e possui mecanismos semelhantes aos observados em dependências químicas. “O mecanismo de dependência do jogo ativa os mesmos circuitos de recompensa cerebral que as drogas químicas. Por consequência, a estrutura do tratamento e os princípios terapêuticos aplicados seguem rigorosamente a mesma lógica e as diretrizes validadas para as demais dependências”, explica a secretaria. 

A avaliação da rede municipal é de que o problema vem crescendo, mas ainda é pouco reconhecido pela população. “Os dados apontam crescimento, porém a busca voluntária e direta por tratamento para o jogo ainda está no início, se comparada ao tamanho do problema na sociedade”, informa a SMS. 

Nos serviços de saúde mental do município, os casos relacionados às apostas já fazem parte da rotina de atendimento. Sempre que a situação é identificada em qualquer ponto da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), o paciente é direcionado para acompanhamento especializado no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD). 

De acordo com a secretaria, cerca de dez pacientes participaram, no último semestre, de um grupo terapêutico específico voltado ao Transtorno do Jogo. O número, porém, não inclui pessoas que apresentam o comportamento associado ao uso de substâncias, cenário considerado frequente pelos profissionais da rede. “O sofrimento emocional, os conflitos familiares, a ansiedade e o isolamento também pesam significativamente e tornam-se o objeto principal da busca por socorro terapêutico”, destaca a pasta. 

A SMS informa que o atendimento para pessoas com compulsão por apostas é oferecido gratuitamente pelo CAPS AD e pode ser iniciado por demanda espontânea, sem necessidade de encaminhamento prévio. 

Após acolhimento e triagem, cada paciente passa a ter um Projeto Terapêutico Singular (PTS), que pode incluir acompanhamento multiprofissional, atendimentos individuais e participação em grupos terapêuticos voltados ao desenvolvimento de estratégias para prevenção de recaídas. 

Segundo a secretaria, os profissionais da rede recebem capacitação permanente para lidar com esse tipo de demanda, já que o tratamento segue princípios semelhantes aos adotados para dependências químicas. 

O aumento da preocupação com os impactos das apostas também levou o Ministério da Saúde a criar, neste ano, um serviço nacional de teleatendimento voltado especificamente para pessoas com compulsão por jogos online. 

Desde março, adultos podem acessar gratuitamente consultas por videoconferência com psicólogos e psiquiatras por meio do aplicativo Meu SUS Digital. Dados do Ministério da Saúde mostram que, entre março e maio deste ano, foram realizadas 883 consultas virtuais relacionadas ao vício em apostas, média de cerca de 12 atendimentos por dia. O serviço é desenvolvido em parceria com o Hospital Sírio-Libanês. 

As consultas duram cerca de 45 minutos e podem integrar ciclos de acompanhamento com até 13 sessões por paciente. O acesso ocorre após a realização de um autoteste disponível no aplicativo. O governo federal avalia que o formato virtual ajuda a reduzir barreiras enfrentadas por muitos apostadores, especialmente o receio de admitir o problema presencialmente. 

Além do endividamento, especialistas apontam que o vício em apostas pode provocar prejuízos emocionais, familiares e sociais importantes. 

Estudo citado pelo Ministério da Saúde estima que os impactos econômicos e sociais associados às bets possam gerar custos próximos de R$ 39 bilhões por ano no Brasil, considerando despesas de saúde, assistência social e perdas de produtividade. 

Em Uberaba, a Secretaria Municipal de Saúde afirma que tem intensificado ações de divulgação e conscientização para estimular a busca por ajuda. “Entendemos que a informação é o primeiro passo para o tratamento”, destaca a pasta. 

A orientação é que pessoas que percebam perda de controle sobre apostas, dificuldades financeiras relacionadas ao jogo ou sofrimento emocional decorrente da prática procurem uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou diretamente o CAPS AD para avaliação e acompanhamento especializado. 

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