Uberaba tem atualmente cerca de 350 pacientes dependentes de hemodiálise, segundo estimativa apresentada pelo nefrologista Dr. Antônio Hueb durante entrevista à Rádio JM. O especialista destaca, porém, que grande parte dos casos poderia ser retardada ou até mesmo evitada com o diagnóstico precoce e o acompanhamento contínuo de pessoas com doenças renais crônicas.
De acordo com o médico, além dos pacientes que realizam hemodiálise, existe um número ainda maior de pessoas com doença renal crônica em tratamento conservador, sem necessidade da terapia renal substitutiva.
"Hoje temos em torno de 350 pacientes em hemodiálise em Uberaba. Fora aqueles que estão em tratamento conservador, acompanhando a doença apenas com medicamentos e consultas", afirmou.
Para Antônio Hueb, o principal desafio está na prevenção. Segundo ele, investir no acompanhamento precoce dos pacientes representa um custo muito menor para o sistema de saúde do que tratar a doença em estágios avançados.
"É muito mais barato prevenir do que tratar depois com hemodiálise. Isso vale para doença renal, obesidade, diabetes e várias outras doenças", disse.
O nefrologista orienta que pessoas com hipertensão arterial, diabetes ou histórico familiar de doença renal façam exames periódicos para avaliar a função dos rins.
"Faça exame de sangue, dose a creatinina, ureia, procure a unidade básica de saúde. O problema é que muitos pacientes não retornam para acompanhamento", alertou.
Segundo o especialista, um dos principais entraves é justamente a interrupção do tratamento após o diagnóstico. Para ele, ampliar as ações de busca ativa por pacientes que abandonam consultas e exames pode reduzir significativamente a progressão das doenças crônicas atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
"O paciente muitas vezes faz a primeira consulta, recebe os exames e simplesmente não retorna", afirmou.
Hueb defende maior participação das assistentes sociais e das equipes da Estratégia Saúde da Família nesse processo. Para ele, o acompanhamento deve ir além da consulta médica.
"A assistente social faz busca ativa. Ela liga, procura o paciente, entende por que ele não voltou. Isso impede que a doença evolua", explicou.
O médico também destacou a importância de programas de atendimento domiciliar, como o Melhor em Casa, um programa gratuito do Sistema Único de Saúde (SUS) que leva atendimento médico e multiprofissional diretamente à residência dos pacientes, principalmente para idosos e pessoas com dificuldade de locomoção, porém avalia que essas iniciativas ainda podem ser ampliadas.
"Esses programas são muito importantes, principalmente para idosos e pessoas com dificuldade de locomoção. Mas poderiam alcançar ainda mais gente", concluiu.