Em meio ao aumento das internações por doenças respiratórias em diversas regiões do país, Uberaba atingiu apenas 40% da meta de vacinação contra a influenza entre idosos, crianças e gestantes. O índice preocupa as autoridades de saúde justamente no período de maior circulação de vírus respiratórios e de queda das temperaturas.
O alerta foi feito pela referência técnica da Central de Vacinas do município, Priscilla Amaral, em entrevista ao programa Pingo do J. Segundo ela, a adesão dos grupos prioritários permanece abaixo do esperado, apesar da disponibilidade de doses em todas as unidades de saúde da cidade.
Atualmente, a cobertura vacinal entre idosos, crianças e gestantes está em cerca de 40%, percentual considerado baixo para o período de maior circulação de vírus respiratórios. “Hoje, a nossa cobertura vacinal está chegando em 40% somente dentro do público que a gente tem de idosos, crianças e gestantes. Então, é importantíssimo conscientizar a população que ainda não foi imunizada para buscar a unidade mais próxima”, afirma.
A especialista ressaltou que a vacinação já foi ampliada e está disponível para toda a população acima de seis meses de idade. “Nós temos doses disponíveis em todas as unidades de saúde. A vacinação está ampliada e ofertada para todas as pessoas acima de seis meses. Quem ainda não se imunizou deve procurar a unidade mais próxima”, destaca.
Dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontam crescimento das hospitalizações por vírus sincicial respiratório (VSR) e influenza em várias regiões do país. Minas Gerais permanece entre os estados com incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em nível de alerta.
Em 2026, mais de 3,5 mil mortes por SRAG já foram registradas no Brasil. Diante desse cenário, especialistas reforçam a importância da vacinação contra a gripe como principal medida para prevenir casos graves e reduzir internações.
Entre as recomendações estão a imunização contra a influenza, a adoção de medidas de higiene e o uso de máscaras em ambientes fechados e com aglomeração quando houver sintomas respiratórios.
Vacina da gripe não causa gripe: especialista rebate mito diante de baixa adesão
Com a chegada do inverno e as oscilações de temperatura, a preocupação da Secretaria Municipal de Saúde é ampliar a proteção da população antes do período de maior circulação viral.
Priscilla reforçou que ainda há tempo para se vacinar e reduzir os riscos de complicações causadas pela gripe. “Sempre há tempo. Nunca é tarde para garantir essa proteção. Estamos passando por um momento de temperaturas mais baixas e precisamos aproveitar a oportunidade para aumentar essa cobertura”, disse.
Durante a entrevista, a referência técnica também esclareceu uma dúvida recorrente da população: a crença de que a vacina contra a gripe pode causar a doença.
Segundo ela, isso não acontece porque o imunizante é produzido com vírus inativado. “É a pergunta que mais me fazem nessa época do ano. O vírus da vacina da influenza está morto. Além de morto, ele está fragmentado. Não tem como a vacina produzir a doença”, explica.
Priscila afirma que muitas pessoas associam a vacinação a quadros gripais que surgem dias depois, mas que, na maioria das vezes, trata-se de coincidência ou da infecção por outro vírus respiratório. “A pessoa pode já ter contraído algum vírus antes da vacinação ou entrar em contato com outro agente respiratório que não está contemplado naquela vacina. Mas isso não significa que a vacina causou a gripe”, acrescenta.
A Secretaria Municipal de Saúde orienta que a população procure a unidade básica mais próxima para atualizar a caderneta de vacinação. As doses contra a influenza estão disponíveis gratuitamente em todas as salas de vacinação da rede municipal para pessoas a partir dos seis meses de idade.