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“Nunca é tarde para ser filho”: adoção de crianças maiores ainda enfrenta barreiras

Uberaba registrou 54 adoções desde 2023, mas adolescentes seguem com mais dificuldade para encontrar família

Débora Meira
Publicado em 06/06/2026 às 10:31
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Uberaba registrou 54 adoções nos últimos três anos, além de 10 entregas voluntárias de bebês para adoção desde 2023 e dois casos de abandono no mesmo período. Os dados, apresentados pelo juiz da Vara da Infância e Juventude, Marcelo Lemos, reforçam a importância do debate sobre adoção e os desafios enfrentados por crianças e adolescentes que aguardam uma família. 

Em entrevista ao programa Pingo do J, Jussara Marra, representante do Grupo de Apoio à Adoção de Uberaba (GRAAU), explicou que ainda existem muitos mitos sobre quem pode adotar. Segundo ela, pessoas solteiras, casais em união estável e casais heteroafetivos ou homoafetivos podem ingressar no processo de habilitação. “Muitas vezes as pessoas ficam pensando que precisa ser um casal, que precisa ser um casal hétero, que precisa ser um casal com uma casa com três quartos. E não”, afirma. 

Ela explica que o processo de adoção começa com a habilitação perante o Judiciário e inclui entrevistas com psicólogos e assistentes sociais. O objetivo é avaliar se os pretendentes oferecem um ambiente seguro e possuem condições emocionais para receber uma criança ou adolescente. “O que é visto é realmente a capacidade afetiva e emocional. Obviamente a questão financeira também é observada, mas isso acaba sendo um detalhe muito pequeno perto do todo”, destaca. 

Durante a entrevista, Jussara também chamou atenção para a situação de adolescentes que permanecem em instituições de acolhimento e enfrentam maiores dificuldades para encontrar uma família. Ela critica o uso do termo “adoção tardia”, frequentemente utilizado para se referir à adoção de crianças maiores e adolescentes. “Eu não uso adoção tardia porque eu acho que nunca é tarde para ser filho”, ressalta. 

Segundo ela, uma das principais preocupações envolve o futuro dos jovens que completam 18 anos sem terem sido adotados. Embora existam programas de preparação para a independência, cursos profissionalizantes e oportunidades de inserção no mercado de trabalho por meio de iniciativas como o Jovem Aprendiz, a transição para a vida adulta ainda representa um desafio. 

Nesse contexto, Jussara destaca a importância do apadrinhamento afetivo, que permite a construção de vínculos e referências familiares mesmo sem a adoção formal. “Quando a gente consegue o primeiro emprego, quer contar para alguém. É muito triste pensar que você não tem com quem comemorar isso”, afirma. 

A representante do GRAAU também alerta para situações em que crianças passam anos em instituições de acolhimento aguardando uma definição judicial. Em alguns casos, crianças acolhidas ainda pequenas chegam à adolescência sem terem retornado à família de origem nem sido encaminhadas para adoção. “Quem não é visto não é amado”, reforça, ao defender ações que deem mais visibilidade a crianças e adolescentes que aguardam uma família. 

Entre as iniciativas voltadas para essa aproximação está o A.dot, utilizado para conectar pretendentes habilitados à adoção com crianças e adolescentes inseridos em programas de busca ativa. Para Jussara, a adoção deve ser encarada sempre como uma medida voltada à garantia do direito à convivência familiar. “O que está em jogo é sempre o melhor interesse da criança e do adolescente”, pontua. 

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