Manter o Parque das Acácias, conhecido como Piscinão, custa atualmente cerca de R$ 1,1 milhão por ano aos cofres públicos de Uberaba. O valor foi revelado pelo presidente da Fundação Municipal de Esporte e Lazer (Funel), Carlos Dalberto Júnior, o Belzinho, em entrevista à Rádio JM. Segundo ele, o custo elevado é um dos principais fatores que levaram a Prefeitura a buscar a concessão do espaço à iniciativa privada. Com a aprovação da lei pela Câmara Municipal, o debate agora se volta ao que poderá ser implantado no parque, incluindo bares, choperias, pedalinhos e até a possibilidade de pescaria.
De acordo com Belzinho, aproximadamente R$ 700 mil do custo anual são destinados para a Codau aos serviços de paisagismo, roçada, poda e manutenção da área verde. Outros R$ 380 mil correspondem às despesas da Funel com servidores e custos operacionais do parque.
"Quando você pega os números, a Codau gasta perto de R$ 700 mil por ano e a Funel mais cerca de R$ 380 mil. Estamos falando de praticamente R$ 1,1 milhão anuais para manter o Piscinão", afirmou o presidente da fundação.
Segundo ele, os estudos realizados pelo município apontaram que a concessão poderá reduzir o impacto financeiro para os cofres públicos e, ao mesmo tempo, ampliar os investimentos no espaço.
A proposta ganhou força após a Câmara Municipal aprovar o projeto que autoriza a concessão do parque. A legislação estabelece que o acesso continuará gratuito, preserva a finalidade ambiental, esportiva, recreativa e cultural do local e determina que qualquer exploração comercial deverá respeitar as regras previstas no edital e no contrato, cuja duração poderá chegar a 20 anos. O município continuará responsável pela fiscalização da futura concessionária.
Durante a entrevista, Belzinho adiantou algumas possibilidades que poderão ser analisadas durante a elaboração do modelo de concessão. Entre elas estão a instalação de bares, choperias, petiscarias, máquinas automáticas de venda e outros serviços já existentes em parques de grandes cidades.
Outra ideia debatida surgiu durante a participação de ouvintes da Rádio JM. Um dos questionamentos foi sobre a possibilidade de permitir a prática de pescaria no lago mediante cobrança de taxa, transformando a atividade em mais uma alternativa para ajudar a custear a manutenção do parque.
Belzinho afirmou que a proposta poderá ser estudada, mas ressaltou que qualquer decisão dependerá de avaliações técnicas. Segundo ele, será necessário verificar a qualidade da água, as condições ambientais do reservatório e se as espécies existentes são próprias para consumo ou para pesca esportiva.
Além da pescaria, o presidente da Funel também mencionou a possibilidade de implantação de atrações como pedalinhos, desde que os estudos comprovem a viabilidade. Ele lembrou, entretanto, que o Piscinão foi concebido originalmente como uma estrutura de contenção de águas pluviais e não como um parque voltado exclusivamente ao lazer, fator que exige cuidados antes da implantação de novos equipamentos.
A próxima etapa da concessão será a publicação do Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI), mecanismo que permitirá a empresas apresentarem propostas para a exploração e gestão do parque. A expectativa da Prefeitura é concluir essa fase ainda em 2026 e, a partir das sugestões apresentadas pelo mercado, elaborar o edital definitivo da concessão.
O debate sobre a concessão do Parque das Acácias se arrasta desde 2022 e já passou por mudanças de estratégia e adiamentos. Inicialmente, o município pretendia elaborar internamente todo o modelo de gestão. Agora, optou por abrir espaço para que a iniciativa privada apresente alternativas de exploração econômica capazes de reduzir o custo anual de manutenção, preservando o acesso gratuito e as características ambientais do parque.