No momento em que nos vemos de novo – e graças a Deus – perto do Natal, animamo-nos com o que está por vir. Como todos os anos, as famílias se reúnem para a comemoração do nascimento de Cristo, embora as atenções raramente se voltem para Ele. Trocamos presentes com alegria e lembramos dos ausentes com saudade. Tudo com muita comida e... bebida.
Apesar do sentido do Natal ser de reflexão, serenidade e introspecção, a euforia se apossa da festa e sai oferecendo aos convidados um pouco mais de cerveja e champanhe, afinal, é Natal. Mas... é Natal! É tempo de lucidez, de bebida, não.
E se estamos falando de famílias reunidas, estamos também falando de vários deslocamentos, afinal, há sempre um eleito para receber a todos em sua casa. Todos os que a ela convergem terão de voltar para as suas próprias depois da meia-noite. E como sairão eles? Terão condições plenas de voltarem para trás do volante de seus carros?
O consumo de álcool está infalivelmente ligado a tragédias automobilísticas e ceifará, infelizmente, muitas vidas que comemorarão apenas o Natal. O ano novo, não. Impressionante que saibamos disso antecipadamente e ainda assim, tanta gente vá passar por dores dilacerantes logo depois de uma noite de alegria, por conta da ação atordoante do álcool sobre o cérebro. Assim sendo, fica claro que está em nossas mãos o poder de mudar esse cenário, fazendo deste um Natal só de paz, em que a maior extravagância seja a de dormir bem tarde, já no adiantado do dia vinte e cinco, levando conosco os presentes que nós, os Papais Noéis demos e recebemos de parentes, esposas e dos filhos ali deitados no banco traseiro.
Bebida não é legal, nem no Natal, nem no carnaval. Façamos deste um Natal não etílico.
Só assim poderemos preparar o próximo, conduzindo em segurança para casa os nossos trenós.
Carlos Alberto de Oliveira
Escritor e contador de histórias e estórias