ARTICULISTAS

Sem ciência

Há um ano estreei neste jornal escrevendo

Carlos Alberto de Oliveira
Publicado em 20/11/2013 às 17:45Atualizado em 19/12/2022 às 10:10
Compartilhar

Há um ano estreei neste jornal escrevendo justamente sobre o Dia da Consciência Negra. De lá para cá não vi muitas mudanças positivas. Martin Luther King – que dedicou sua curta vida de 39 anos à luta pela igualdade racial antes de ser assassinado por causa dela – também não estaria feliz com os poucos progressos alcançados. Do mesmo modo, o mais importante líder da África Negra, Nelson Mandela, cuja existência – a maior parte dela, preso por causa também de sua lide – foi toda doada à mesma causa, espera ainda dias melhores de um mundo mais equânime para todos os povos, muito embora tenha conseguido acabar com o terrível regime Apartheid.

A sociedade brasileira vive sob a certeza de que discriminar alguém por sua cor pode render um bom processo criminal, candidatando o agressor a aumentar a população carcerária.

Todavia, se existe a carência de se fazer aplicar a lei para proteger gente da ameaça de outra gente, o quadro continua plenamente insatisfatório. A justiça e a polícia podem amparar contra a discriminação, mas lei alguma pode se impor contra o preconceito, pois discriminar é uma atitude, enquanto que o preconceito é um sentimento.

A lei funciona como uma grade de proteção aos negros. O preconceito é o mal maior e origem de toda a discriminação. Assim, é possível que poupemos o negro dos ataques, mas ainda não fomos capazes de criar na humanidade a consciência da igualdade entre os que são, de fato, iguais.

É simples constatar que a diferença que segrega, oprime, maltrata e humilha é apenas superficial. Somos todos bons, maus, falhos ou gloriosos. Negros ou brancos. Somos exatamente o mesmo conteúdo em diferentes embalagens. Nada mais. Nem menos.

Falta-nos a simples iniciativa de nos colocar no lugar do outro. Imaginar o sentimento do próximo mudaria completamente as atitudes de um homem.

Fariam entender os intolerantes hostis que as nossas diferenças são boas, não ruins. E que elas existem apenas para nos completar.

(*) Escritor e contador de histórias e estórias

Assuntos Relacionados
Compartilhar

Nossos Apps

Redes Sociais

Razão Social

Rio Grande Artes Gráficas Ltda

CNPJ: 17.771.076/0001-83

JM Online© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por