Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca) e a Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica, apesar de o câncer infantil ser raro quando comparado aos outros tipos de tumores – cerca de 3% do total – já é a doença que mais mata no país na faixa etária dos 5 aos 18 anos. E, ao lado de doenças como hemofilia, que afeta dez em cada 100 mil, e a anemia falciforme, que atinge um em cada oito afro-brasileiros, as crianças têm o desenvolvimento negativamente afetado. Os números indicam também que a garantia de um tratamento adequado e completo ainda é um grande desafio para o Sistema Único de Saúde (SUS). Por isso, a ajuda de organizações de apoio é necessária. É o exemplo da Organização dos Amigos Solidários à Infância e à Saúde (Oasis), que oferece acompanhamento psicopedagógico a mais de 100 crianças, com recursos provenientes de doações. Receber e hospedar crianças de diversas regiões do país que estão em fase de tratamento no Hemocentro de Uberaba fazem parte do atendimento, mas a vice-presidente da instituição, Carmem Ilka Cançado Oliveira, destaca que o acompanhamento psicológico é fundamental para a cura e recuperação dessas crianças doentes. “A anemia falciforme afeta o maior número delas e não tem cura. Por isso, essas crianças acabam ficando na instituição até que completem 18 anos”, revela Carmem. Ela destaca que isso prejudica o desenvolvimento delas, pois passam a faltar às aulas e perdem o contato com outras crianças, por conta dos efeitos da doença. A pedagoga acompanha o desempenho com atividades escolares, aulas de computação, atividade lúdica através de brincadeiras e música, que funcionam como uma terapia. “Por meio do atendimento psicológico, as crianças e suas famílias aprendem a lidar com as dificuldades do dia-a-dia, provocadas pela doença. A aceitação é fundamental para a cura e recuperação da doença e, no futuro, terem um desenvolvimento normal, com mais qualidade de vida”, encerra Carmem.