SAÚDE

Pacientes diagnosticados com Covid-19 precisam ficar atentos à saúde bucal, pois infecções podem causar piora no quadro

Rafaella Massa
Publicado em 11/12/2021 às 18:44Atualizado em 19/12/2022 às 00:58
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A Covid-19 chama atenção, principalmente, pelos quadros de infecção, queda na imunidade e problemas respiratórios. No entanto, o que pode passar em branco é a saúde bucal do paciente infectado, que merece tanta atenção quanto todo o resto do quadro infeccioso, pois pode interferir diretamente na recuperação corporal.

De acordo com o dentista Dyego Brito, a Covid por si só pode trazer alterações bucais que estão relacionadas diretamente com a doença, mas, além dos casos em que a doença não manifesta algum problema, esta interferência pode vir, causada pela medicação.

“Quando o paciente tem o diagnóstico da Covid e não há a necessidade da internação, provavelmente ele não vai ter nenhuma alteração bucal, mas a gente sabe que algumas alterações podem acontecer em decorrência da doença. Podem estar associadas também às medicações que são utilizadas, então, a gente pode ter essas alterações bucais. Mas o que é mais comum e que nós temos mais demanda odontológica são esses pacientes que se internam”, explica.

Entre os problemas bucais que podem ocorrer estão infecções oportunistas, causadas por micro-organismos e que são mais comuns aparecerem por conta da medicação, além de lesões orais.

“Infecções oportunistas estão diretamente ligadas à baixa resistência imunológica do paciente. Quando ele está internado em uma condição mais grave, às vezes até entubado, ele demanda dos mesmos tratamentos odontológicos que os pacientes com outras comorbidades, como, por exemplo, a higienização bucal durante a internação. Porque você tem um risco aumentado de pneumonia associada à ventilação mecânica quando esse procedimento não é realizado”, analisa o dentista.

No caso dos pacientes que estão entubados, a higienização é um fator fundamental, pois além de ter o favorecimento de doenças, como a pneumonia, por conta da Covid, existe a possibilidade do desenvolvimento causado pela condição da saúde bucal também.

“Primeiro, que o paciente não consegue realizar a própria higienização. Ele já vai estar entubado e inconsciente, então, precisa de um profissional para realizar esse procedimento. Segundo, que, quando ele está entubado, ele não tem o reflexo da deglutição, que é o de engolir. Então, a gente tem um acúmulo de sujidade na cavidade bucal e, se não for realizada a remoção da sujidade com a higienização, ela pode ir diretamente para o pulmão e até ser facilitada também pelo tubo, que já vai estar diretamente conectado à região pulmonar. E aí essa sujidade e, também, algumas bactérias que a gente tem na cavidade bucal e que são favoráveis ao desenvolvimento da pneumonia podem ir diretamente para o pulmão e desencadearem a pneumonia, que é a segunda maior causa de morte por infecção hospitalar e, também, uma das complicações da Covid”, finaliza.

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