ARTICULISTAS

Que morram as baleias azuis e os cangurus australianos

Fazemos parte do meio ambiente. Não estamos apartados do que pensamos estar ao nosso lado...

Flavio Jackson Ferreira Santiago
Publicado em 27/02/2012 às 00:53Atualizado em 17/12/2022 às 08:37
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Fazemos parte do meio ambiente. Não estamos apartados do que pensamos estar ao nosso lado. Existe uma conexão em tudo nesta vida. Não podemos mexer numa flor, sem que atinjamos as estrelas. Esta é a máxima! A promoção de uma atitude refletirá em algo ou em alguém. Por isso, fazer o bem sempre desencadeia uma séria de ações positivas, mesmo que não tangíveis ou invisíveis aos olhos nossos, quase sempre ofuscados pelas impurezas das vaidades impressas no nosso íntimo. Mas temos que fazer a nossa parte por aquilo que está ao nosso alcance.

O título do nosso presente artigo não representa a realidade de sentimento deste autor, mas de um pensamento crítico de onde estamos e para onde vamos. Vejo muitas pessoas falando em proteção ambiental, de forma unilateralmente filosófica, ou apenas focadas na aparência de estarem filiadas a ideais mercadológicos expostos por grandes marcas, empresas, ou negócios. É comum vermos pessoas se filiando ao Greenpeace, usando camisas em prol dos ursos polares e dos cangurus australianos. Mas quem está olhando e reivindicando os direitos de vida do nosso Tamanduá? Quem está lutando pelos direitos de nossas onças pardas que estão cada vez mais ameaçadas pelo desmatamento e queimadas descontroladas? E as nossas florestas?

Se não bastasse a ilusão de pessoas que vestem camisas promocionais de causas ambientais do Velho Continente, ou de qualquer outra parte do mundo que não nosso imenso Brasil, estes não se dão conta do desperdício e do descompromisso que a falta de esclarecimento pode fazer.

Não é incomum, mesmo nos dias de hoje, percebermos pessoas que varrem as suas calçadas com jatos d’água, ao invés de utilizarem a famosa vassoura de piaçava. A abundância de água que degustamos tem data marcada para findar. É preciso percebermos e lutarmos pelo que temos contato e está presente no nosso cotidiano. É louvável lutarmos por causas que estão sendo veiculadas na mídia, mas, o que estamos fazendo pelas coisas que estão ao nosso alcance? Estamos vestindo camisas em prol dos coalas desamparados e prendendo nossas aves da fauna brasileira. Que digam os pintassilgos, os papagaios e os canários-da-terra.

O que queremos com o presente artigo? Queremos conscientizar nossos leitores a observarem os problemas ambientais que estão à nossa volta e lutarmos por eles. Existem empresas degradadoras do meio ambiente que têm interesse em financiar propostas ambientais na Índia, na Dinamarca e na terra do Tio Sam. Por que não, no Brasil? Tudo para que nossos olhos estejam vidrados e focados numa realidade que não é a nossa. Não quero a morte das baleias azuis, tampouco, dos cangurus australianos. Quero que a percepção do nosso povo esteja sem os antolhos utilizados pelos nossos burros de carga. É preciso que enxerguemos para todos os lados, sem a maquiagem e roupagem política, interesseira e mercadológica.

Vamos cuidar da nossa água, do nosso solo, dos nossos tucanos e dos nossos tamanduás. É preciso lutar pelo reflorestamento. É imprescindível que cuidemos de nossas árvores e do nosso ecossistema.

Com segurança posso afirmar que temos muitas causas para lutar e que estão mais próximas do que imaginamos. Basta que observemos ao nosso redor.

Contemplem a natureza, tirem fotos, inspirem-se pela beleza de nossa fauna e flora. Querem levar um exemplar? Leve-os na consciência ou na captura de imagens de câmeras ou filmadoras. Deixe-os no habitat natural. Lá, esses exemplares patrocinam sonhos de outras pessoas e mantêm o equilíbrio da espécie e do meio ambiente. Tão importante para a perpetuação, inclusive, de nossa espécie.

Flavio Jackson Ferreira Santiago -

capitão da Polícia Militar de Minas Gerais

5ª Região de Polícia Militar

autor do livro “Comunidades Blindadas”

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