ARTICULISTAS

O voo de Icaro nos tempos modernos

A figura mitológica de Icaro tem muito a nos ensinar

Flavio Jackson Ferreira Santiago
Publicado em 11/05/2012 às 20:48Atualizado em 19/12/2022 às 19:46
Compartilhar

A figura mitológica de Icaro tem muito a nos ensinar. Na verdade, replicamos, a cada dia, o voo de Icaro na necessidade que temos de confrontarmos a verdade ou de não submetermos nossas vontades à sabedoria que nos demonstra o caminho correto.

Bom, Dédalo – pai de Icaro – foi preso em um labirinto construído por ele mesmo para o aprisionamento de outra figura mitológica, o “Minotauro”. Conseguiu, através da cera produzida com o mel de abelhas, e das penas deixadas pelas gaivotas que por lá passavam, a construção de dois pares de asas. Uma para ele mesmo, outra para seu filho Icaro. Asas para que fugissem do labirinto construído pelo próprio Dédalo. Quantas vezes somos vítimas de nossas próprias armadilhas. De cara, um incrível ensinamento!

Entretanto, não para por aí. Dédalo disse ao impetuoso Ícar “Filho, não voe tão perto do sol, pois derreterá a cera que liga e suporta a estrutura das asas, mas, também, não voe perto dos mares, visto que a umidade poderá fazer com que a estrutura pese e o faça cair”. O resto poderia ser vivido com muita liberdade por Icaro. Mas o que ele fez, caros leitores? Não suportou a tentação e se dispôs a aproximar do sol. Caiu!

E será que não temos replicado o voo de Icaro nas diversas passagens de nossas vidas? Deixamos de cumprir regras básicas de saúde. Não nos preocupamos com a nossa coluna, tampouco com a dos outros, pois sobrecarregamos nossos verdadeiros colaboradores com nossa empáfia e descabida vaidade. Esta última, com potencial mais corrosivo que o sol de Dédalo. Voamos como Icaro quando queremos o reconhecimento de coisas que o anonimato trataria com mais lisonja. A queda para os vaidosos é de uma altura incompreensível aos olhos carnais. Exigimos preferenciais pelo cargo que ostentamos, esquecendo-nos de ver que não somos; na verdade, nós estamos. E a queda para aqueles que não percebem os “amigos” que outrora, pelo poder, o seguiam e rendiam homenagens é muito aviltante. Mas os voos continuam quando não nos indignamos com a queda de nossos semelhantes. Pior, quando somos responsáveis por tal atitude descabida. E a ribanceira que nos aguarda quando ferimos nossos semelhantes é recheada de espelhos. Espelhos que nos demonstram quem verdadeiramente somos! E se você não se indignar com seus voos, não irá gostar de ver o que será refletido nos espelhos. Por isto, viva com ética. Cultive a moral e dissemine-a junto aos seus filhos e netos. O maior tesouro que carregamos é o da moral e dos bons costumes. Seja livre para voar!

(*) Capitão da Polícia Militar de Minas Gerais - 5ª Região de Polícia Militar;  autor do livro Comunidades Blindadas

Assuntos Relacionados
Compartilhar
Logotipo JM Magazine
Logotipo JM Online
Logotipo JM Online
Logotipo JM Rádio
Logotipo Editoria & Gráfica Vitória
JM Online© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por