Quando se dá, afinal, a vida? Há vasta dissonância sobre o tema. Para muitos – sobretudo para os religiosos – ela acontece no momento do encontro do espermatozoide com o interior do óvulo e é esta a teoria mais aceita.
A discussão é antiga, mas parece estar sendo revigorada pela retomada dos debates a seu respeito em que a igreja católica, por exemplo, é invocada pelos que defendem o aborto a reconsiderar sua posição.
Penso no assunto e o primeiro sentimento que tenho é o de tristeza. Me pergunto para onde vai a humanidade e não vejo resposta.
Vejo-me numa angustiante confusão ao lembrar que estamos no século XXI tentando delimitar a idade fetal mínima para que se faça a “interrupção” do processo de formação de um novo ser humano.
Humildemente, ouso manifestar-me em defesa da vida e, quanto a ela, acredito que haja no óvulo fecundado uma alma. Não sou capaz de compactuar com a tese de que a mulher tem que ter o direito de dar ou não à luz o filho que traz no ventre.
Segundo publicação da Folha de São Paulo do último dia 21, a legalização da prática ganhou apoio dos Conselhos de Medicina, lembrando que, hoje, o aborto é legal nos casos de estupro, risco de morte da mãe e de formação de bebês anencéfalos. Se o projeto passar pelo Senado, incluir-se-á no rol de motivos a vontade da mulher, entre outros, ou seja, bebês perfeitos, gerados em condições favoráveis seriam também destruídos ao sabor das vontades de suas mães, que, não raro, seriam simplesmente o reflexo das exigências dos pais em fuga de suas responsabilidades financeiras.
O anteprojeto prevê também casos em que há falta de condições psicológicas da mãe para criar a criança que vem. Paradoxalmente, qualquer condição psicológica parece boa para a prática do sexo. O Conselho Federal de Medicina prima por defender a autonomia da mulher.
Ainda em minha humilde opinião, creio que deva ser defendida a autonomia da mulher em escolher seus parceiros, em tomar ou não anticoncepcionais, em exigir ou não o uso de preservativos por eles ou de não ter relações sexuais nos seus períodos férteis. E, tal qual têm os homens a obrigação de assumir os filhos por eles gerados, têm as mulheres a de zelar pela boa formação de suas crianças, garantindo-lhes o direito à vida.
Este é um tema perigoso. Principalmente para as crianças. Ninguém pode afirmar que não haja vida sensível após o momento da fecundação.
Suponho que a única razão da existência de médicos seja para a preservação da vida, não para matar. Ainda que se pudesse ignorar o foco espiritual da questão, precisamos considerar a possibilidade da presença de sentidos da nova vida que ali está. Cerca de um terço dos conselheiros foi contra o projeto, segundo João Batista Soares, presidente do Conselho Regional de Medicina- MG.
Concluo que esta já seja por si só, uma razão estrondosa para se enterrar de vez o assunto.