Recentemente reformulei minhas convicções a respeito de riquezas e pobrezas. Mesmo em países como Dinamarca, Nova Zelândia, Finlândia e Suécia, há problemas, embora sejam estes países com índices de corrupção baixíssimos. De vez em quando me vem à cabeça uma frase que diz que “país rico é país sem pobreza”. Eu, então, comparei este dizer com a realidade de que há pobreza em quase todas as cidades, em todos os países. No mundo inteiro.
Experimentei atribuir um sentido figurado à frase, entendendo que ela pretendia dizer que a pobreza se referia ao espírito, não ao material. Piorou. Porque onde não há pobreza material falta ainda mais amor e solidariedade. Seja como for, necessidades e privações impõem sempre algum sofrimento.
Se a saúde, por exemplo, vai mal, sem os devidos investimentos, com corrupção e negligência à vontade, remedia-se a situação trazendo-se do exterior médicos que aceitem trabalhar em meio à precariedade e por salários baixíssimos. Eu lhes dou boas-vindas. Nós precisamos mesmo de mais médicos. Muitos mais. São entusiasmados e dispostos ao trabalho duro. Mas isso não resolve este grave problema social do nosso país. É mais simples remediar uma situação do que resolvê-la. É um jeito simplista de governar, varrendo a sujeira para debaixo do tapete.
Se o raciocínio do remediar continuar ou evoluir, creio que o mesmo possa acontecer com os nossos judiados professores. Continuando o devaneio, vislumbro a importação de policiais, de juízes, delegados... E fica assim. A coisa ficou ruim, a gente importa gente. Isso não é, nem de longe, o que se pode chamar de progresso.
Mas, já que é assim, podem continuar até chegarem, enfim, a importar políticos.
Mas aí tinha que ser da Dinamarca, Nova Zelândia, Finlândia ou Suécia.
Só de lá.