Muitos dos nossos adolescentes não têm crença alguma. Mais do que isso, muitos deles fazem parte de correntes de ateus, graças a Deus, segundo eles mesmos.
Vai daí que boa parte da moçada começa a ver o povo que crê em Deus como pagadores de mico, além de dízimos. Há, inclusive, sites dedicados a produzir frases de efeito contra a crença.
Está dado o tiro no pé das igrejas. Eis o grande problema.
Seguidores da filosofia de que “templo é dinheiro”, pastores que mais se parecem com gerentes de banco são sistematicamente treinados para tirar dos fiéis o almoço do dia a dia e, se possível, o jantar do noite a noite. Se uma das filiais tiver pouca renda, o time de pastores é trocado para fazê-la “produzir” mais.
Muitos destes adeptos a não aderir à crença alguma, talvez, sejam casos perdidos de potenciais propagadores de boas mensagens enriquecedoras de espíritos pobres, mas ávidos por crescimento. O comércio da fé apodrece embriões promissores e fabrica homens iguais àqueles que a vendem. Quem faz isso não crê em nada, não teme nada.
Enquanto que eu imagino que tudo neste mundo seja pequeno se comparado com o que veremos no lado de lá, estes homens tratam da vida como se aqui fosse o seu começo, meio e fim; o tempo é pouco para se ganhar muito e muito parecerá sempre pouco diante da ganância em nome de Deus.
Este é o mal maior: mais do que tirar dos pobres para dar aos ricos, os Robin Hoods no avesso criam uma legião de céticos que passam a crer solidamente que toda e qualquer aglutinação religiosa é formada por tolos desinformados, prontos a passar todos os seus centavos àqueles que os escravizam.
Transformam ovelhas que acorrem às igrejas em busca de Deus, em seres que passam a agir como seus pastores, ávidos principalmente por prosperidade financeira.
Lá se vão os filhos, afastando-se do Pai por pouco ou nada conhecerem dEle; outros, já longe, por O conhecerem muito e saberem que o fardo de Suas leis é pesado demais.
A era da igreja-empresa está em curso. Enquanto isso, as entidades sérias ficam ofuscadas pela exposição midiática invencível das poderosas máquinas de fazer esperanças de sucesso material. Vira um salve-se-quem-der-mais.
Difícil é achar na Bíblia, matéria-prima de todas, algum trecho dedicado a convencer o leitor que o bem material é importante.
Aí eu me pergunt se a Bíblia fala tanto da importância da alimentação do espírito e tão pouco sobre dinheiro e templos suntuosos e nada a respeito de aviões, fazendas e mansões, por que esses são temas sempre atrelados a certos líderes espirituais? Devagarinho, Deus vai sendo empurrado para lá e um grande “S” cortado por duas retas paralelas verticais vira o alvo dos holofotes.
Então fica assim. Quem crê, crê; quem não crê, não crerá. Eles roubam almas. Se não forem elas deles, estarão mais longe de Deus também.