“O único sinal de superioridade que conheço é a bondade.”
Jogar uma banana perto de um jogador de futebol negro diz muito em todas as línguas. É um recado indelével e profundamente ofensivo de ódio injustificável de um ser humano a outro. Não importa onde isso aconteça, é um sinal de que provavelmente Darwin estava errado ao dizer que o homem evoluiu do macaco em sua célebre Teoria da Evolução. O erro primário está na palavra “evolução”.
O crime está tipificado no Código Penal Brasileiro e recebe o nome de Injúria Racial. Diferentemente do racismo, a injúria racial se caracteriza por ser dirigida a um indivíduo, enquanto que o primeiro atinge toda uma raça. Se o racismo é imprescritível e inafiançável, a injúria racial liberta sob fiança e prescreve. Imprescritíveis são de fato os efeitos que deixam na dignidade da pessoa humana, tanto um quanto o outro. São feridas que se fecham e cicatrizes que nunca somem.
Na seara legal há diferenças técnicas entre o racismo e a injúria racial. Na vida humana, nem tanto. São, neste caso, um par quase idêntico de aberrações vindas de gente oca de cabeça e peito, em que se dedica rancor sem causa, pela diferença do revestimento que nos cobre as carnes e os ossos, estes, idênticos em cada um de nós.
Muito pouco se faz para mudar esse quadro. Poucas políticas sociais e de resultados duvidosos. Não se investe em educação, não há empenho dos líderes sociais em equipar o Homem com os valores humanos do amor, do respeito e do bom convívio. O negro já não se dobra sob o impacto do chicote. Mas, junto a nordestinos, judeus e índios continua à espera de um novo treze de maio.
As maiores mentes da história humana pregaram o amor entre todos os homens. Isso não pode ser ignorado.
A frase que abre este texto é de Ludwig van Beethoven.
(*) Escritor e contador de histórias e estórias