EL NIÑO

Possível retorno do El Niño acende alerta para calor, queimadas e impacto na safra de café em MG

Fenômeno climático pode alterar regime de chuvas, elevar temperaturas e pressionar custos da produção agrícola e de energia no estado

Publicado em 03/06/2026 às 10:06
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A possibilidade de formação de um novo episódio do El Niño nos próximos meses já preocupa especialistas e setores produtivos em Minas Gerais. O fenôeno climático, associado ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico, pode provocar mudanças importantes no clima do estado, com reflexos diretos na agricultura, no abastecimento hídrico e no setor elétrico.

Segundo especialistas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os principais efeitos esperados em Minas são temperaturas acima da média, ondas de calor mais frequentes, aumento do risco de queimadas e alterações no padrão das chuvas.

De acordo com a meteorologista Anete Fernandes, do Inmet, o El Niño interfere na circulação atmosférica global e modifica a distribuição das precipitações. Em vez de longos períodos de chuva contínua, o cenário tende a ser marcado por pancadas mais intensas e concentradas em poucos dias.

A situação preocupa especialmente o setor cafeeiro mineiro. Conforme o presidente do Sindicato das Indústrias de Café de Minas Gerais (Sindicafé-MG), Sérgio Meirelles, a irregularidade climática pode comprometer etapas fundamentais da produção.

A falta de chuva durante a florada pode reduzir a produtividade das lavouras, enquanto o calor excessivo acelera a maturação dos grãos e prejudica a qualidade do café. Já o excesso de chuva próximo ao período da colheita aumenta o risco de fungos, fermentação e perdas na produção.

Além dos impactos climáticos, produtores também demonstram preocupação com o aumento dos custos operacionais, especialmente relacionados ao consumo de energia elétrica em sistemas de irrigação, secagem e armazenagem.

O setor industrial acompanha o cenário com atenção. Segundo representantes da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), o acionamento maior de termelétricas em períodos de calor intenso e redução hídrica pode elevar o preço da energia, afetando toda a cadeia produtiva.

Apesar do alerta, especialistas ressaltam que ainda não é possível determinar a intensidade exata do próximo episódio do El Niño. Caso o fenômeno se consolide nos próximos meses, os impactos mais perceptíveis em Minas Gerais devem começar a surgir entre a primavera e o verão.

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