INTERNACIONAL

PCC virou referência para facções internacionais, afirma assessor do governo italiano

Publicado em 24/07/2026 às 09:07
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O Primeiro Comando da Capital (PCC) passou a ser visto por organizações criminosas de outros países como um modelo de estrutura e atuação, segundo autoridades e especialistas que participaram de um evento sobre combate ao crime organizado.

A avaliação foi feita por Giovanni Tartaglia, assessor de assuntos jurídicos do Ministério das Relações Exteriores da Itália. Segundo ele, a facção brasileira se transformou em um “paradigma da nova geopolítica criminal” por sua expansão e influência no cenário internacional.

De acordo com Tartaglia, o PCC deixou de ser apenas uma organização criminosa ligada ao sistema prisional e passou a atuar como uma rede de tráfico internacional de drogas, com presença em diferentes países.

“A facção passou de um grupo violento a uma rede, de rede a sistema, e de sistema hoje ambiciona ser um poder econômico e social”, afirmou o representante italiano.

Segundo a avaliação, a organização teria ampliado sua atuação por meio do controle territorial, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, infiltração na economia formal e influência em estruturas públicas.

Um levantamento do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, aponta que a facção possui cerca de 40 mil integrantes e presença em 28 países de quatro continentes.

Cooperação internacional

Durante a conferência realizada pelo Ministério Público de São Paulo, especialistas destacaram a necessidade de ampliar a cooperação entre países para combater o avanço das organizações criminosas.

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Francisco Rezek afirmou que a expansão internacional do PCC exige uma resposta conjunta entre diferentes nações.

Segundo ele, a facção, criada em 1993 no sistema penitenciário paulista, demonstrou desde o início uma vocação para atuação além das fronteiras brasileiras.

O promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco, ressaltou que o combate ao crime organizado também depende do enfrentamento à corrupção de agentes públicos.

“Não existe crime organizado, em lugar nenhum do mundo, sem a colaboração de agentes do Estado”, afirmou.

As autoridades defenderam o fortalecimento das ações integradas entre órgãos públicos e países para enfrentar crimes como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção.

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