Equipe internacional vai acompanhar possíveis focos de transmissão e emitir alertas em tempo real durante o torneio que reunirá milhões de torcedores nos Estados Unidos, Canadá e México
(Foto/Divulgação)
Uma força-tarefa formada por epidemiologistas e especialistas em saúde pública irá monitorar águas residuais e conversas em redes sociais para identificar rapidamente possíveis surtos de doenças durante a Copa do Mundo de 2026. A iniciativa busca reduzir riscos sanitários em um dos maiores eventos esportivos do planeta, que deve reunir mais de 6,5 milhões de torcedores vindos de mais de 100 países.
O sistema de vigilância será coordenado por uma equipe sediada na Universidade de Georgetown, em Washington, nos Estados Unidos. O grupo pretende analisar dados obtidos a partir de amostras de esgoto e informações públicas disponíveis na internet para detectar sinais precoces de transmissão de doenças infecciosas nas cidades que receberão partidas do torneio.
A Copa do Mundo terá início nesta quinta-feira (11), no México, e contará com 104 jogos distribuídos entre Estados Unidos, Canadá e México ao longo de 39 dias.
Segundo os organizadores da iniciativa, o grande fluxo internacional de pessoas pode aumentar o risco de disseminação rápida de doenças, exigindo atenção redobrada das autoridades sanitárias. O centro de monitoramento deverá produzir relatórios diários destinados a hospitais, gestores de emergência, órgãos de saúde pública e à Fifa.
Uma das principais ferramentas utilizadas será a análise de águas residuais por meio do sequenciamento de DNA e RNA. A tecnologia permite identificar fragmentos genéticos de vírus, bactérias e outros microrganismos presentes no esgoto, funcionando como um alerta antecipado para possíveis surtos.
De acordo com Rebecca Katz, diretora do Centro de Ciência e Segurança da Saúde Global da Universidade de Georgetown, o método pode fornecer informações valiosas antes mesmo de um aumento expressivo de casos clínicos.
Além do monitoramento do esgoto, a equipe acompanhará dados anonimizados de prontuários eletrônicos e fará a chamada "escuta social", analisando conteúdos publicados em plataformas digitais que possam indicar o surgimento de focos de doenças.
Entre as enfermidades que estarão sob observação especial estão o sarampo, que registra aumento de casos nos Estados Unidos, além de doenças transmitidas por mosquitos, como dengue e chikungunya. O ebola também faz parte do monitoramento internacional, embora especialistas considerem baixo o risco de transmissão para o público em geral na América do Norte.
Os organizadores afirmam que a estrutura criada para a Copa do Mundo poderá servir de modelo para outros grandes eventos internacionais, incluindo os Jogos Olímpicos de Los Angeles, previstos para 2028.
Para especialistas em saúde pública, o objetivo é garantir que qualquer ameaça seja identificada rapidamente, permitindo respostas mais ágeis e reduzindo os impactos à população local e aos milhões de visitantes esperados para o torneio.