CUIDADO

Canetas emagrecedoras do Paraguai são iguais às do Brasil? Anvisa responde

Agência afirma que testes que identificaram tirzepatida em produtos contrabandeados não avaliaram qualidade, contaminantes nem comportamento no organismo

Publicado em 08/07/2026 às 16:54
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(Foto/Reprodução)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforçou que não existe equivalência entre as canetas emagrecedoras contrabandeadas do Paraguai e os medicamentos com registro no Brasil. O posicionamento busca esclarecer os limites de uma análise recente feita por pesquisadores brasileiros.

O alerta foi divulgado após um estudo independente da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) confirmar que produtos fabricados no Paraguai e vendidos como versões da tirzepatida contêm o mesmo princípio ativo do Mounjaro.

Segundo a Anvisa, porém, a presença do princípio ativo não é suficiente para atestar que dois medicamentos sejam equivalentes. Para essa comprovação, são necessários estudos específicos que avaliem concentração, características físico-químicas e o comportamento do produto no organismo, como absorção, nível alcançado na corrente sanguínea e tempo de eliminação.

A agência explica que esses testes precisam ser realizados em centros de bioequivalência credenciados, capazes de conduzir todas as etapas clínicas, analíticas e estatísticas exigidas.

De acordo com a Anvisa, o Centro de Informação e Assistência Toxicológica da Unicamp (CIATox) verificou apenas a presença, a concentração e a estrutura molecular da tirzepatida nos produtos contrabandeados.

A agência ressalta que o CIATox não é um centro de bioequivalência credenciado no país nem integra a Rede Brasileira de Laboratórios Analíticos em Saúde. Por isso, os resultados não permitem concluir que os produtos sejam equivalentes aos medicamentos aprovados.

Segundo a Anvisa, os exames confirmaram apenas o princípio ativo nos frascos. Não foram feitas verificações sobre impurezas, contaminantes, degradação, esterilidade ou presença de metais pesados, fatores que influenciam qualidade e segurança.

A agência acrescenta que o estudo também não analisou a biodisponibilidade, considerada a principal informação para saber se um medicamento tem o mesmo desempenho terapêutico de outro.

A Anvisa lembra que o registro de um medicamento passa por avaliação ampla de qualidade, eficácia e segurança, com exigências que incluem formulação, caracterização, impurezas, especificações, controle de qualidade, validação de métodos analíticos, processo de fabricação e estudos clínicos.

Para a agência, uma análise laboratorial isolada, sem acesso a informações técnicas do fabricante — como processo de síntese, perfil de degradação e possíveis impurezas — não basta para comprovar a qualidade do produto.

A Anvisa também aponta que métodos laboratoriais não detectam automaticamente todas as impurezas. Antes dos testes, é preciso definir quais contaminantes podem estar presentes para desenvolver e validar métodos capazes de identificá-los.

Outro ponto destacado é que as empresas responsáveis pelos produtos analisados pela Unicamp não tiveram suas linhas de produção inspecionadas nem avaliadas quanto às Boas Práticas de Fabricação (BPF). Segundo a agência, essa certificação é essencial para garantir a qualidade dos medicamentos e não foi verificada nos itens contrabandeados.

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