ARTICULISTAS

De enganados

Iludir-se, enganar-se, assim como manter-se vivo

Gilberto Caixeta
Publicado em 19/08/2014 às 20:35Atualizado em 19/12/2022 às 06:22
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Iludir-se, enganar-se, assim como manter-se vivo e se reproduzir, compõe o quadro da vida. Insetos e vegetais, vírus e bactérias têm as suas armas para driblar os obstáculos e sacam-se das armas da ilusão e da enganação para subtrair as substâncias necessárias à sua sobrevivência e reprodução. Não diferente entre os animais, quiçá entre os humanos. Sem que isto represente uma imitação à natureza; pensar assim é incorrer no pensamento antropomórfico e sim pensar na ordem natural da vida, levando em conta a natureza de suas espécies. É conhecido por muitos a artimanha das orquídeas para a sua reprodução, elas têm destaque na flora do engano vegetal. Há uma diversidade significativa de orquídeas; 15 mil espécies distintas classificadas. Elas, as orquídeas, reproduzem-se por meio de alogamia: o processo de fecundação requer que o pólen de uma flor se misture ao estigma de outra. Ela supera as suas distâncias e amplia a sua diversidade pelo fascínio do sexo. Diferentes tipos de orquídeas especializaram-se em atrair determinados insetos, seduzindo-os com estímulos sexuais que evocam o aspecto, a coloração e o odor das respectivas fêmeas daqueles insetos. “Acontece, escreve Eduardo Giannetti -Autoengano -  que incitar o inseto a tão somente acercar-se da flor atraído pela promessa de sexo, não basta. Para que a polinização seja bem sucedida ele precisa se animar a montar na flor, senti-la de perto e partir para uma pseudocópula com ela”. Assim os sacos de pólen se fixarão em seu corpo e serão efetivamente carregados e misturados ao órgão sexual de outra orquídea. Outro exemplo de enganação vem de certas abelhas, que de tão enganadas, preferem a cópula com as flores à com uma de sua espécie. Há mosquitos domésticos que encantam as fêmeas com comida para receberem em troca seus favores sexuais enquanto comem. O problema é quando machos se apresentam com trejeitos femininos e o enganador é enganado. Todavia entre os homens há jovens adolescentes e outros solitários que se entretém no engano sexual folheando revistas de mulheres nuas. Ficam ali horas e se dedilham avidamente para o alívio posterior. Essas artimanhas não ocorrem apenas no mundo da sexualidade, avançam outros aspectos, inclusive podem nos empurrar para o autoengano. A mente da pessoa consegue manipular-se e iludir-se a si própria. Quando é assim, o estrago é maior com aquela pessoa, mas esta manipulação é tema para outra reflexão. Os enganos estão presentes em vários aspectos de nossa vida, cumpre encontra-los a partir da reflexão que nos rodeia. Veja a tentativa dos depoentes da Petrobras, quiseram enganar os membros da CPI do Congresso, se não houvesse a denúncia da imprensa, obteriam êxito em sua manipulação. E nós novamente enganados. Não poderia deixar de falar no engano cometido por vários brasileiros: colocaram no poder um partido que se dizia ético e defensor da inclusão daqueles à margem das benesses sociais. Mas, a práxis foi outra. No entanto, os megalomaníacos estão à solta, senhores de suas verdades e quer nos impor goela abaixo, os seus enganos, como se fossem nossas verdades irrefutáveis.

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