Todo adulto deveria comemorar o Dia da Criança como um dia seu.
Criança é um bichinho franco. Fala o que pensa e, assim, não precisa pensar no que fala.
Briga, xinga, talvez, tira o brinquedo da mão da outra e volta a brincar com essa outra, devolvendo-lhe o brinquedo junto com um pedido de desculpas. Tudo isso dentro do mesmo minuto. Sem vergonha, sem rancores, sem mágoas, sem nem lembrar-se mais disso. Sinceramente.
Toda criança nasce amando os animais, ainda que nem sempre os trate bem.
Ela vê em cada um dos seus bonequinhos o animalzinho de estimação, veem-se a si mesmas em seus próprios colos e dão a eles o carinho que sabem tão bem receber. E tome muito cuidado ao recolher seus pequenos objetos largados pelo chão da sala! Eles todos têm vida! Basta que você os recoloque nas mãos da sua criança e ela lhe provará o que digo.
Pedem brinquedos e doces sem constrangimento. Têm medo da frustração da resposta, mas não têm vergonha de receberem um “Não!”.
Elas amam e, simplesmente, amam.
É por isso que eu gostaria de poder dizer que o dia 12 de outubro é de todos nós. Muito me agradaria que todos nós, adultos, ainda trouxéssemos instalados nos nossos corações pelo menos a metade das tantas maravilhas infantis que nós deixamos que a vida nos tirasse.
Se elas soubessem quantas incertezas temos no nosso mundo grande, sem que tenhamos um adulto mais adulto que nós nas mãos de quem segurar e a quem pedir proteção... Se elas soubessem quão frágeis somos, e que as fortalezas são elas...
O mundo adulto gira torto. Talvez ele devesse ser só delas, as crianças. Tamanha é a nossa responsabilidade. Precisamos caprichar para arrumar o mundo para as nossas crianças, diferente do nosso, imaginando um mundo em que elas não cresçam.
Benditos sejam, pequenos.