KÁTIA SANTIAGO RIBEIRO

Quando esquecer deixa de ser normal?

Kátia Santiago RIbeiro
Kátia Santiago Ribeiro
Publicado em 27/06/2026 às 16:24
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Com o passar dos anos, é natural que algumas mudanças ocorram na memória. Esquecer onde colocou os óculos, demorar um pouco mais para lembrar o nome de uma pessoa ou entrar em um cômodo e esquecer por alguns instantes o que iria fazer são situações comuns do envelhecimento saudável. No entanto, quando esses esquecimentos passam a comprometer a rotina e a independência, é hora de procurar ajuda.

A diferença entre o esquecimento esperado e os primeiros sinais de uma demência está no impacto que essas alterações causam na vida da pessoa. Enquanto o envelhecimento normal permite que a informação seja lembrada depois de algum tempo, a demência leva à perda progressiva da capacidade de recordar fatos recentes, organizar tarefas, resolver problemas e até reconhecer pessoas e lugares familiares.

Os primeiros sinais costumam ser sutis. Repetir a mesma pergunta diversas vezes, esquecer compromissos importantes, perder-se em trajetos conhecidos, apresentar dificuldade para encontrar palavras durante uma conversa, trocar o nome de objetos de forma frequente ou demonstrar mudanças de comportamento podem indicar que algo merece investigação.

É importante destacar que nem todo problema de memória significa demência. Alterações do sono, depressão, ansiedade, uso de determinados medicamentos, deficiência de vitaminas e até problemas auditivos podem prejudicar a memória e a atenção. Por isso, uma avaliação médica é fundamental para identificar a causa e indicar o tratamento mais adequado.

Nesse contexto, a atuação do fonoaudiólogo é de grande importância. Além de trabalhar com a comunicação, esse profissional participa da avaliação das funções cognitivas relacionadas à linguagem, memória e atenção, auxiliando no diagnóstico e desenvolvendo estratégias de reabilitação que ajudam a preservar a autonomia e a qualidade de vida da pessoa idosa.

Embora ainda não exista cura para a maioria das demências, o diagnóstico precoce faz toda a diferença. Quanto mais cedo o tratamento é iniciado, maiores são as possibilidades de retardar a evolução da doença, manter a independência por mais tempo e oferecer suporte adequado à família.

Algumas atitudes também contribuem para manter o cérebro saudável ao longo da vida:

• Praticar atividade física regularmente.

• Manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras e alimentos naturais.

• Controlar doenças como hipertensão, diabetes e colesterol elevado.

• Dormir bem.

• Estimular o cérebro por meio da leitura, jogos, música e aprendizado de novas habilidades.

• Cultivar a convivência social e os vínculos familiares.

• Cuidar da audição, pois ouvir bem favorece a comunicação e a estimulação cognitiva.

Envelhecer não significa perder a capacidade de aprender, lembrar ou se comunicar. Estar atento aos sinais de alerta e buscar ajuda especializada são atitudes que podem fazer toda a diferença na saúde e na qualidade de vida.

A memória guarda nossas histórias, nossas relações e nossa identidade. Cuidar dela é cuidar daquilo que nos torna únicos.

 Dra. Kátia Santiago Ribeiro

Fonoaudióloga  

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