FALANDO SÉRIO

Ataques de Leuces Teixeira

O advogado afirmou que cidadãos comunstêm medo de policiais e outras autoridades

Wellington Cardoso
Publicado em 19/08/2010 às 10:17Atualizado em 17/12/2022 às 06:39
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Sem meias palavras. O que mais chamou a atenção no Tribunal do Júri, ontem, foram os ataques do criminalista Leuces Teixeira ao modus operandi de policiais civis. Depois que testemunhas arroladas contra o seu cliente John Humberto da Silva voltaram atrás sobre o que haviam dito no inquérito, o advogado afirmou que cidadãos comuns realmente têm medo de policiais e outras autoridades. O recuo das testemunhas, que disseram ter sentido medo do delegado Grilo – que mandou buscá-las em casas, de carro oficial, para serem ouvidas na delegacia –, não ajudou o réu, mas permitiu que Leuces voltasse suas baterias para o Ministério Público ao ser contestado pelo promotor João Davina.   Medo generalizado. Em Uberaba, promotores também têm medo de policiais civis – frisou o advogado, lembrando episódio em que três deles foram recebidos de revólver em punho durante cumprimento de mandado de busca e apreensão na velha delegacia do Parque das Américas, em prédio que ainda abrigava o “cadeião”. Eles procuravam por equipamentos de tortura e somente a rápida intervenção da PM evitou uma confusão ainda maior. “Promotores dão uma de valente aqui [no Fórum], mas têm medo lá fora” – atacou Leuces Teixeira em meio à discussão com Davina, quando ameaçou: “Não me deixem abrir a caixa de ferramenta...”.   Investigação silenciosa. Denúncia de fraude contra o INSS a partir da internação de dependentes químicos em comunidades terapêuticas de Uberaba está sendo investigada pelo Ministério Público Federal. Também a resolução 101 da Anvisa estaria sendo descumprida pelos mantenedores dessas casas de internação voluntária, que lutam contra a falta de recursos, pois elas não têm fins lucrativos, dependendo de verbas públicas e da ajuda da comunidade. Diante das exigências da Anvisa, que só podem ser atendidas com dinheiro, coisa rara em comunidade terapêutica, no Senado tramita projeto para suspendê-las.   Cela interditada. Juízes que atuam no mutirão carcerário do Conselho Nacional de Justiça/CNMP/Tribunal de Justiça ficaram impressionados com o que viram em visita à 16ª Delegacia Regional de Segurança Pública, em Uberlândia. Lá encontraram carceragem (onde ficam os presos que aguardam audiência com delegados ou transporte para o presídio) sem condições de higiene e ventilação. Há deficiência até mesmo no abastecimento de água. Em Uberaba também já foi quase assim. As instalações foram recuperadas mais recentemente. Elas fediam, chegando a “embrulhar o estômago” de quem transitava por ali.   Gangues. Debeladas no Boa Vista, depois de muitas mortes (10 ou mais), as brigas de gangues estão concentradas agora no bairro Abadia. E cada uma delas “apronta” mais para se mostrar “dona do pedaço”. Neste contexto, cerca de quinze membros de uma dessas gangues chegaram a tentar invadir o Centro Avançado que fica na contra/esquina da Aisp/Abadia. Só não conseguiram porque os servidores da Prefeitura ofereceram resistência. Mas, uma hora isso produzirá tragédia.   Ataques. Unidades municipais de saúde e educação têm sido rotineiramente atacadas por bandidos, arrombadas durante a madrugada. Nem mesmo o monitoramento eletrônico intima os criminosos, que, mesmo soando o alarme, ainda encontram tempo para levar alguma coisa. Há muito a Prefeitura desistiu de aumentar o número de vigias, concluindo que esses trabalhadores não resolviam o problema e ainda corriam riscos, trocando-os pela vigilância eletrônica.   Cadeirinha. Entra em vigor no dia 1º de setembro a obrigatoriedade de que crianças de até sete anos e seis meses sejam transportadas em cadeirinhas em veículos de passeio. A ausência do equipamento, que continua faltando no mercado (motivo de adiamento anterior) implicará em multa de R$ 191,54 e na perda de sete pontos na CNH. A determinação do Contran não fala em ônibus e vans escolares (inexistem riscos de acidentes com esses veículos?).      Drogas. As equipes de PSF são controladas pelas Prefeituras, mas o deputado Fahim Sawan anunciou em BH que proporá ao Estado o engajamento delas na identificação e encaminhamento de dependentes químicos e alcoólatras às instituições de tratamento. A propósito, onde estão as unidades de atendimento e clínicas para internação mantidas pelo Estado? A própria PM já prendeu mais de mil dependentes químicos este ano e, segundo consta, nenhuma delas foi incluída em política estadual de assistência.   Exigente. Fafy Siqueira se apresenta no fim de semana em Uberaba. O “Dó Ré Mi Fafy” tem direção de Chico Anysio. Mas, atrai a atenção a lista de exigências da artista, que inclui carro de passeio com ar-condicionado e motorista à sua disposição, hospedagem em hotel cinco estrelas ou “o melhor da cidade”. No lanche que antecede cada apresentação ela quer, inclusive, Red Bull, torrada Balducco e leite desnatado Molico.   Endossando. Jornalista Adriano Garcia, residente em Brasília, endossa comentário de FALANDO SÉRIO de que prometer melhores salários para os policiais não significa dar atenção à segurança pública (e é o que os candidatos às eleições estão fazendo). O colega me diz em e-mail que, no Distrito Federal, o soldado ganha R$ 4.056, mas nem por isso vive-se com segurança. Diz ele que, no Plano Piloto, os furtos de carros têm aumentado e, no Setor Comercial Sul, os furtos a pedestres são constantes.         Punição. Como a maioria da população, Adriano entende que o combate ao crime passa também pela aplicação de leis punitivas e justas, diferentemente do que ocorre, com a procura de brechas na legislação e outras desculpas pra botar criminoso contumaz na rua.   Sem ofensa. Neste momento, cinco juízes estão em Uberlândia a serviço do mutirão carcerário. E o que se ouve é que o objetivo, com a análise de mais de quatro mil processos criminais (inclusive de Uberaba), num período entre 30 e 60 dias, é reduzir a população carcerária. Fica indagaçã o objetivo é realmente esvaziar as cadeias ou fazer justiça?   Aprovado. Advogado Mauro Morais concorda com FALANDO SÉRIO quanto à falta de transparência na divulgação pela OAB de punições aplicadas aos juristas “picaretas” (alguns muito mais do que isso). Ele entende que a não-divulgação dos resultados das apurações nivela os advogados por baixo, “como se a classe fosse formada por canalhas ou trambiqueiros”.         E tem mais. Ele reclama providências da OAB também em relação aos advogados que ignoram a tabela de honorários, a concessão de Justiça gratuita a quem dela não necessita de fato e quanto às pessoas que “sequer rábulas são”, mas têm procurações para agir em repartições públicas municipais, estaduais e federais.   Uma e outras. Santa Juliana está pegando fogo. Apesar dos argumentos do Executivo, há quem diga que as demissões lá verificadas recentemente, inclusive de médicos, têm motivação política.// Grupo de Choro do Palácio das Artes se apresenta hoje, às 20h, no Centro de Cultura “José Maria Barra”, com entrada franca.// Hoje é também dia do Terceiro Tempo no Jockey Park. No cardápio, bacalhoada a R$ 3,50 por 100 gramas.// Audiência pública na Câmara sobre o Hospital Regional será hoje às 19h30, e não às 15h, como anteriormente programado.   “Pessoa aborrecida é aquela que nos priva da nossa solidão sem nos fazer companhia.”

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