Nitroglicerina Política
A divulgação da primeira pesquisa eleitoral de 2026 caiu como uma verdadeira nitroglicerina nas rodas políticas de Uberaba. O levantamento redesenhou cenários, alimentou expectativas e acendeu sinais de alerta. Enquanto alguns grupos comemoram a consolidação de seus projetos, outros já começam a vislumbrar um cenário desafiador para 2026 e, por consequência, reflexos importantes na disputa municipal de 2028.
Quem avisa, amigo é...
Ao longo deste ano, mesmo sem divulgar números concretos, já que as informações disponíveis eram provenientes apenas de pesquisas de consumo interno, este colunista já vinha sinalizando a boa performance do radialista Tony Carlos (PSDB) na corrida por uma vaga na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Da mesma forma, a coluna também registrava o desempenho consistente do vereador Thiago Mariscal (PSDB) nas projeções para a disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados. A primeira pesquisa pública registrada apenas confirmou um cenário que, até então, era tratado nos bastidores da política uberabense.
Lá vem guerra!
Com a divulgação dos números, a tendência é que o ambiente político se torne ainda mais acirrado e 'ácido'. Críticas, contraposições e ataques deverão ganhar intensidade.
Escorrendo pelos dedos...
Para quem construiu sua influência ocupando espaços de poder, perceber esse capital político escorrendo entre os dedos pode ser um exercício difícil. E, na política, o desespero costuma ser um combustível poderoso. Vêm ataques bélicos por aí. Pode anotar.
Pouco espaço para outros nomes
Outro dado que chama atenção é a disputa pelas primeiras colocações entre o ex-prefeito Anderson Adauto, o ex-deputado Franco Cartafina e o vereador Thiago Mariscal. Os três concentram parcela significativa das intenções de voto para deputado federal. Mantido esse quadro, o espaço para outros candidatos e candidatas domiciliados em Uberaba torna-se bastante reduzido, dificultando o surgimento de novos nomes que tenham alguma competitividade.
O efeito Nikolas
No campo da direita e da centro-direita, um dos fatores que mais chama atenção é a candidatura do deputado federal Nikolas Ferreira (PL). Mesmo tendo sua base política na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Nikolas reúne forte identificação com parte expressiva do eleitorado conservador uberabense e ultrapassa os 10% das intenções de voto. Desde março, esta coluna alertava para esse movimento. Quanto maior a concentração de votos em um nome de alcance estadual, como Nikolas Ferreira, menor tende a ser o espaço para candidaturas locais que defendem as mesmas bandeiras bolsonaristas.
Alerta no PSD
A prefeita Elisa Araújo, política habilidosa, experiente, jovem, dinâmica e bem-quista no PSD estadual e nacional, terá pela frente um grande desafio de articulação. Os primeiros números indicam que será necessário ampliar significativamente sua atuação política para fortalecer seus possíveis pré-candidatos. O vice-prefeito Mauricinho de Sá, pré-candidato a deputado federal; o vereador Ismar Marão, pré-candidato a deputado estadual; e o governador Mateus Simões, pré-candidato ao Governo de Minas Gerais, todos do PSD, apresentam, neste primeiro levantamento, desempenhos pífios
A temida 'Derrota 3M'
Nos bastidores, alguns articuladores políticos já apelidaram esse possível cenário de 'Derrota 3M' — referência a Mateus Simões, Mauricinho de Sá e Marão. Se esse quadro vier a se confirmar nas urnas, os reflexos poderão ir muito além de 2026. Uma derrota simultânea dos três nomes enfraqueceria o capital político do grupo da prefeita e tornaria muito mais complexa a construção da sucessão municipal de 2028.
O fator Cleitinho
O cenário estadual também chama atenção. O senador Cleitinho Azevedo aparece liderando as pesquisas para o Governo de Minas Gerais em todos os cenários do Estado. Sua força eleitoral cria um ambiente favorável para aliados políticos em diversas regiões. Em Uberaba, esse movimento interessa diretamente ao vereador Thiago Mariscal, um de seus aliados políticos de primeira hora.
De olho em 2028
Caso Cleitinho confirme o favoritismo e seja eleito governador, Thiago Mariscal, independentemente de conquistar ou não uma cadeira na Câmara dos Deputados, poderá chegar a 2028 com acesso privilegiado ao Governo de Minas e fortalecido politicamente. A história política mineira demonstra que o governo estadual costuma exercer forte influência nas eleições municipais quando atua em favor de seus aliados estratégicos. É um ponto nevrálgico a ser observado.
Fechando a conta
A primeira pesquisa de 2026 não elege ninguém. Mas ela cumpre uma função essencial: revela tendências, desmonta narrativas e obriga partidos e lideranças a recalcularem suas estratégias. Em Uberaba, o recado das urnas ainda não foi dado. Porém, o recado das pesquisas já começou a mudar o humor da política local. E quem não compreender rapidamente essa nova realidade poderá chegar atrasado ao pleito de 2026 e, por consequência, chegará enfraquecido ao pleito municipal de 2028.
Fabiano Elias é assessor parlamentar e consultor politico com experiência de mais de 25 anos em eleições e mandatos.