ATLAS DA VIOLÊNCIA

Uberaba tem 4ª maior taxa de homicídios entre grandes cidades da região

Município aparece à frente de Uberlândia no índice proporcional e ocupa o segundo lugar no número estimado de mortes

Da redação
Publicado em 22/07/2026 às 09:33
Compartilhar

Uberaba registrou a quarta maior taxa estimada de homicídios entre os municípios com mais de 100 mil habitantes do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. O dado consta no Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), com informações referentes a 2024.

A taxa uberabense foi de 12,1 homicídios para cada grupo de 100 mil habitantes. O índice ficou abaixo dos registrados em Patos de Minas, Araguari e Araxá, mas superou Uberlândia e Ituiutaba entre as cidades da região incluídas no levantamento.

Em números absolutos, Uberaba contabilizou 43 homicídios estimados e ficou atrás somente de Uberlândia, que somou 87. O resultado mostra por que quantidade de mortes e taxa populacional precisam ser observadas separadamente: embora Uberlândia tenha registrado mais que o dobro dos casos, a população maior fez com que o índice proporcional ficasse em 11,5, abaixo dos 12,1 de Uberaba.

O ranking regional por taxa estimada de homicídios ficou da seguinte forma:

(Foto/Reprodução)

O recorte não reúne todos os municípios do Triângulo e Alto Paranaíba. A tabela nacional utilizada para a comparação considera somente cidades que tinham mais de 100 mil habitantes em 2024. Ao todo, 336 municípios brasileiros se enquadravam nesse critério.

Uberaba está abaixo das médias estadual e nacional

No ranking nacional, organizado da maior para a menor taxa, Uberaba ocupa a 257ª posição entre os 336 municípios analisados. Em Minas Gerais, aparece na 24ª colocação entre as 36 cidades do estado presentes na tabela.

Apesar de superar parte dos municípios vizinhos, o índice de Uberaba permaneceu abaixo das referências estadual e nacional. Minas Gerais apresentou taxa estimada de 18,5 homicídios por 100 mil habitantes, enquanto a média brasileira foi de 23,4. O indicador uberabense ficou aproximadamente 35% abaixo do índice mineiro e 48% abaixo do nacional.

Entre as cidades da região, Patos de Minas liderou o ranking, com 14,3 homicídios por 100 mil habitantes. Foram 24 mortes registradas e nenhum homicídio oculto estimado. Araguari veio na sequência, com taxa de 13,8 e 17 casos. Em Araxá, foram contabilizados 14 homicídios oficialmente registrados e um caso estimado como oculto, elevando o total para 15 e a taxa para 12,7.

Ituiutaba apresentou cenário bastante diferente das demais cidades da região. Com cinco homicídios e taxa de 4,7 por 100 mil habitantes, o município ficou entre os menores índices de Minas Gerais. Apenas Lavras, com taxa de 3,6, apresentou resultado inferior entre as cidades mineiras analisadas.

O Atlas não considera somente os homicídios registrados oficialmente. O levantamento também estima os chamados “homicídios ocultos”, mortes violentas classificadas originalmente como de causa indeterminada, mas que, conforme a metodologia do estudo, apresentam características compatíveis com homicídio.

Em Uberaba, não houve diferença entre o número registrado e o estimado: foram 43 homicídios oficiais e nenhum caso oculto acrescentado. Em Uberlândia, por outro lado, o Atlas partiu de 73 registros e estimou outros 14 homicídios ocultos, chegando ao total de 87. Araxá também teve um caso acrescentado pela metodologia.

O estudo utiliza informações do Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde. A categoria adotada inclui mortes causadas por agressões, intervenções legais e operações de guerra, conforme os códigos utilizados pelo sistema de saúde.

Homicídio não representa todo o cenário da criminalidade

O ranking deve ser interpretado como um retrato da violência letal e não como uma classificação geral das cidades mais ou menos seguras. Furtos, estelionatos, tráfico de drogas e outros delitos que aparecem com frequência nos registros policiais não entram no cálculo da taxa de homicídios.

Também há diferença entre o conceito utilizado pelo Atlas e a categoria de “crimes violentos” adotada pela segurança pública de Minas Gerais. No sistema estadual, esse grupo reúne homicídios consumados e tentados, estupros, roubos, extorsões e sequestros, delitos considerados de maior impacto por envolverem ameaça à integridade física ou à liberdade da vítima.

Em Uberaba, os roubos têm peso importante nesse conjunto. Entre janeiro e maio de 2025, foram 153 roubos consumados e 21 tentativas, tornando o roubo o crime violento mais recorrente naquele período. Já em janeiro de 2026, o município contabilizou 21 roubos consumados, além de sete registros de estupro de vulnerável, dois homicídios tentados e um consumado.

Os dados não são contraditórios. É possível que uma cidade apresente redução no total de crimes violentos em determinado período e, ao mesmo tempo, tenha uma taxa de homicídios superior à de municípios próximos. As bases observam tipos de ocorrência, períodos e metodologias diferentes.

Assuntos Relacionados
Compartilhar

Nossos Apps

Redes Sociais

Razão Social

Rio Grande Artes Gráficas Ltda

CNPJ: 17.771.076/0001-83

JM Online© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por