
Durante o Julho Dourado, campanha de conscientização sobre saúde animal e prevenção de zoonoses (Foto/Divulgação)
A ideia de que cães e gatos que vivem exclusivamente dentro de casa não precisam ser vacinados ainda é comum entre tutores, mas pode colocar os animais em risco. Durante o Julho Dourado, campanha de conscientização sobre saúde animal e prevenção de zoonoses, a médica veterinária Gabriela Takahashi alerta que a imunização continua sendo necessária mesmo para pets sem acesso à rua.
Segundo a especialista, situações inesperadas podem expor os animais a doenças como a raiva, uma infecção viral com alta letalidade após o aparecimento dos sintomas. Morcegos, por exemplo, podem entrar em residências por janelas, telhados ou sacadas, e um único contato com um animal infectado pode ser suficiente para a transmissão. “Mesmo animais que vivem exclusivamente dentro de casa devem ser vacinados. Morcegos podem entrar em residências por janelas, telhados ou sacadas, e um único contato pode ser suficiente para transmitir o vírus”, explica.
Além disso, a veterinária destaca que períodos de seca e queimadas podem aumentar a presença de animais silvestres em áreas urbanas. Com a alteração do habitat natural, espécies como morcegos podem buscar abrigo e alimento próximos às residências, aumentando as chances de contato com cães e gatos. “As queimadas e a destruição do habitat natural fazem com que animais silvestres procurem abrigo e alimento em áreas urbanas. Isso aumenta a chance de contato com cães e gatos, elevando o risco de transmissão da raiva caso os pets não estejam adequadamente vacinados”, afirma.
A raiva pode provocar alterações no comportamento dos animais e evoluir rapidamente. Entre os sinais de alerta estão agressividade ou apatia, dificuldade para engolir, salivação excessiva, alteração da vocalização, falta de coordenação, paralisia e convulsões.
De acordo com Gabriela, quando os sintomas aparecem, as chances de recuperação são praticamente inexistentes. “Infelizmente, após o aparecimento dos sinais clínicos, não existe tratamento eficaz, e a doença evolui para o óbito”, alerta.
A veterinária reforça que a vacinação é a principal forma de proteger cães e gatos contra doenças graves e deve fazer parte da rotina dos animais.
Para os cães, as vacinas consideradas essenciais são a múltipla (V8 ou V10) e a antirrábica. Já para os gatos, a recomendação inclui a múltipla felina (V3, V4 ou V5) e também a vacina contra a raiva.
Após o protocolo inicial, os reforços devem ser realizados anualmente, conforme orientação do médico-veterinário. “Todos os cães e gatos devem receber as vacinas essenciais, independentemente de viverem exclusivamente dentro de casa ou terem acesso à rua”, reforça.
A orientação também vale para situações envolvendo animais silvestres, como morcegos e raposas. Segundo Gabriela, a população não deve tentar capturar ou resgatar esses animais. “O ideal é manter distância, impedir o contato de pessoas e outros animais e acionar os órgãos responsáveis, como a Vigilância em Saúde ou o Centro de Controle de Zoonoses do município”, orienta.
Caso um cão ou gato tenha contato com um animal suspeito, o tutor deve procurar atendimento veterinário imediatamente para avaliação da situação vacinal e definição das medidas necessárias.
Em casos de mordidas ou arranhões em pessoas, a recomendação é lavar o local com água e sabão e procurar atendimento médico o quanto antes.