Segundo explicou a Superintendência de Bem-estar Animal, o acolhimento foi agendado para o dia seguinte, uma vez que o acionamento ocorreu após o horário regular de funcionamento dos atendimentos conveniados
(Foto/Divulgação)
Um cachorro em situação de rua, encontrado em estado grave na região do Mirante, em Uberaba, morreu antes de receber atendimento veterinário. O caso foi denunciado pela vereadora Denise Max (PRD), que afirma ter acionado a Superintendência de Bem-Estar Animal (SBEA) na segunda-feira (22) para solicitar o resgate do animal. Em nota, a Prefeitura informou que acompanhou a ocorrência e afirmou que o encaminhamento ao Hospital Veterinário da Uniube (HVU) foi programado para a manhã seguinte, uma vez que o acionamento ocorreu após o horário regular de funcionamento dos atendimentos conveniados.
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Segundo Denise, ela recebeu informações sobre o caso por volta das 10h e pediu ao médico-veterinário que apoia os resgates e atendimentos da Supra ONG que mora próximo ao local, para tentar localizar o cachorro. O animal foi encontrado por volta das 16h30, atrás da sede da Polícia Federal, com ferimentos severos, dor intensa e infestação por larvas.
De acordo com a vereadora, mesmo sem estrutura adequada, o veterinário realizou os primeiros atendimentos possíveis, administrando medicamentos para dor, antibióticos e capstar. Paralelamente, ela afirma que buscou apoio da Superintendência de Bem-Estar Animal para que o animal fosse resgatado e encaminhado ao hospital conveniado.
A parlamentar relata que foi informada de que seria necessário realizar um cadastro do cachorro antes da autorização do atendimento. "Era um cachorro em situação de rua, sem tutor, e aquele era um caso de extrema urgência. O animal estava sofrendo e precisava de atendimento imediato", afirma.
Segundo Denise, o encaminhamento ao hospital conveniado dependia de autorização da Superintendência. Ela também cita que o contrato firmado entre a Prefeitura e a unidade veterinária estabelece que o transporte de animais sem tutor até o hospital é de responsabilidade da Superintendência de Bem-Estar Animal.
A vereadora afirma ainda que continuou cobrando providências durante a noite e que, por volta das 23h, recebeu a informação de que o animal seria buscado. No entanto, segundo ela, o resgate não ocorreu. Na manhã de terça-feira (23), o cachorro foi encontrado morto. "Ele passou horas em sofrimento sem receber o atendimento que precisava, no meio de todo aquele lixo. Foi uma situação extremamente dolorosa", declara.
Em nota encaminhada à reportagem, a Superintendência de Bem-Estar Animal informou que tomou conhecimento do caso por meio de contato da vereadora diretamente com a superintendente e passou a acompanhar a situação por telefone com o médico-veterinário vinculado à Sociedade Uberabense de Proteção aos Animais (Supra), que estava no local.
Segundo a Prefeitura, o profissional informou que "havia dificuldades para o manejo e resgate do cão naquele momento". Diante desse cenário, a administração afirma que "ficou acordado entre ele e a superintendente que o animal seria encaminhado ao Hospital Veterinário da Uniube (HVU), observados os critérios e fluxos estabelecidos no convênio mantido pelo Município".
Ainda conforme a nota, a avaliação e o possível encaminhamento foram programados para a manhã do dia seguinte, já que os contatos ocorreram após o horário regular de funcionamento dos atendimentos conveniados.
A Superintendência acrescentou que, diante das dificuldades para a remoção do cachorro, orientou que "o Corpo de Bombeiros poderia ser acionado para prestar apoio à operação, visando garantir a segurança dos envolvidos e viabilizar o atendimento adequado ao cão".
A Prefeitura informou ainda que "manteve o acompanhamento da situação até ser comunicada, na manhã seguinte, sobre o falecimento do animal durante a noite". Após a confirmação da morte, a equipe do Departamento de Controle de Zoonoses e Endemias foi acionada para realizar o recolhimento do corpo.
Após o caso, Denise defendeu a revisão dos protocolos para atendimento de animais em situação de rua, especialmente em ocorrências emergenciais. "Quando um animal em situação de rua está sofrendo e não tem ninguém por ele, o poder público precisa agir com rapidez e sensibilidade", afirma.
A vereadora também destacou que recebe diariamente denúncias de maus-tratos, abandono, atropelamentos e animais em situação crítica. "Faço tudo o que está ao meu alcance para ajudar. Mas nenhuma pessoa sozinha consegue substituir a estrutura e as responsabilidades do poder público", declara.
Segundo Denise, o objetivo é que o episódio sirva para discutir mudanças nos procedimentos de atendimento. "Estamos lidando com vidas, e cada minuto de demora pode significar sofrimento ou morte para um animal que depende da nossa ajuda", conclui.