
O movimento acompanha uma tendência mundial (Foto/Divulgação)
A transformação provocada pela inteligência artificial no mercado de trabalho já chegou a Uberaba. O avanço da automação tem levado empresas da região a buscar profissionais com novas competências, enquanto instituições de ensino, como o SENAI, passaram a incorporar inteligência artificial e tecnologias da Indústria 4.0 na formação dos alunos. Além de preparar estudantes para o mercado, a unidade também presta consultoria às indústrias na implantação de processos automatizados e inovação tecnológica.
O movimento acompanha uma tendência mundial. Segundo o Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial (WEF), 22% dos empregos atuais passarão por mudanças até 2030. A projeção é de criação de 170 milhões de vagas e extinção de 92 milhões de postos de trabalho, resultando em um saldo positivo de 78 milhões de empregos. O estudo aponta que a inteligência artificial, ao lado da automação e da digitalização, será uma das principais responsáveis por essa transformação.
Para Virgílio Marques dos Santos, PhD em Engenharia e sócio-fundador de startup em Educação e Consultoria, o desafio não será a falta de empregos, mas a velocidade com que os profissionais conseguirão se adaptar às novas exigências. "A conta tem dois lados, e o debate costuma mostrar só um. O emprego cresce. O que muda é a composição dele, e é aí que as decisões de carreira passam a fazer diferença", afirma. Segundo ele, quem permanecer preso às competências antigas tende a perder espaço no mercado.
O relatório mostra que as maiores oportunidades estarão em áreas como inteligência artificial, ciência de dados, segurança cibernética e desenvolvimento de software, mas também haverá crescimento em setores tradicionais, como saúde, educação, construção civil, logística, agricultura e transporte. "São duas leituras diferentes sobre o mercado. Uma mostra as profissões que crescem mais rapidamente em termos proporcionais; a outra revela onde estarão as maiores oportunidades de emprego", explica Virgílio.
Ao mesmo tempo, funções administrativas e repetitivas devem perder espaço. Caixas, assistentes administrativos, digitadores, operadores de entrada de dados e até designers gráficos aparecem entre as ocupações mais impactadas pela inteligência artificial. Para o especialista, a discussão deixou de ser se a IA substituirá trabalhadores. "A pergunta que vale fazer deixou de ser se a inteligência artificial vai acabar com o emprego e passou a ser quais competências cada profissional precisa desenvolver para continuar relevante", conclui.