Ministério da Saúde orienta municípios a reforçarem ações contra vetores diante de calor, seca e chuvas intensas
O fenômeno El Niño pode alterar os padrões de temperatura e de chuva no Brasil e, com isso, criar condições favoráveis à proliferação de mosquitos transmissores de doenças como dengue, chikungunya e zika. O alerta foi reforçado pelo Ministério da Saúde, que orienta estados e municípios a se prepararem para os possíveis impactos do fenômeno sobre a saúde pública em 2026. Em Uberaba, a climatologista Wanda Prata avalia que o calor e a distribuição irregular das chuvas podem favorecer o aumento da presença de insetos e exigir atenção redobrada ao longo dos próximos meses.
Segundo o Ministério da Saúde, o El Niño pode provocar diferentes efeitos regionais, como ondas de calor, períodos de seca, chuvas intensas e enchentes. Essas alterações interferem nas condições ambientais que favorecem a reprodução e a circulação de vetores, entre eles o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, da chikungunya e da zika. A pasta destaca que a combinação entre temperatura, chuvas e outros fatores ambientais pode aumentar o risco de doenças transmitidas por vetores.
Para Wanda, o cenário climático previsto para os próximos meses em Uberaba ainda apresenta incertezas quanto à distribuição das chuvas, mas a tendência é de temperaturas elevadas e períodos de precipitação irregular. Uberaba está inserida em uma área que pode ser influenciada por diferentes sistemas atmosféricos, com possibilidade de alternância entre chuva e calor. “O calor, quando ele vier, a proliferação de insetos é espantosa. E o Aedes vai de vento em popa, além da presença do mosquito que carrega a febre amarela, que também já está circulando”, afirma.
A climatologista explica que o comportamento das chuvas na região dependerá da atuação de sistemas como zonas de convergência, frentes frias e correntes de baixos níveis da atmosfera. Com isso, a precipitação pode ocorrer de maneira bastante irregular, com períodos de chuva intensa em algumas áreas e pouca ou nenhuma chuva em outras. “Nós não temos ainda essa resposta. A previsão não nos deu como será exatamente, mas teremos temperaturas altas e estamos sujeitos a essas ondas de calor”, explica Wanda.
Diante desse cenário, o Ministério da Saúde reforça a necessidade de planejamento antecipado e de ações permanentes de vigilância e controle de vetores. A eliminação de recipientes que possam acumular água continua sendo uma das principais medidas de prevenção contra a proliferação do Aedes aegypti. Em Uberaba, a combinação entre calor e chuvas pontuais ou irregulares mantém a necessidade de atenção durante todo o ano, já que as condições favoráveis ao mosquito podem surgir mesmo fora dos períodos tradicionalmente associados ao maior número de casos.