O Gigante Adormecido acordou. Até que enfim! Deitado - mas não eternamente - em berço esplêndido, já não era sem tempo, até porque berço é para criança. O gigante estava mesmo era dopado e só acordou por causa do barulho que a falta de segurança, a corrupção, a falta de transporte público de qualidade, a corrupção, a crise na saúde, a corrupção e outras tantas algazarras, entre elas a corrupção, acabaram atrapalhando o sono do bom e complacente menino gigante. Houve outros tempos em que ele deu sinais de que o sono tranquilo ia acabar, mas ele só fez barulho por eleições diretas, depôs um presidente, virou pro lado e voltou a dormir.
Se isso tudo o que estamos vendo agora não for mais uma viradinha pro outro lado ou uma crise de sonambulismo, então podemos, enfim, comemorar.
A PEC 37 foi arquivada, os preços das passagens recuaram, os políticos vieram a público untados em óleo de peroba, primeiro dizendo que investimentos públicos seriam prejudicados, depois trocando o discurso pelo que dizia que os gastos públicos, estes sim, seriam cortados.
Mas, acautela-te, gigante: já fizeram a PEC 1/2013, desta vez para proteger prefeitos das ofensivas do Ministério Público. Como vês, não podeis mais dormir. Pelo menos até que a contumaz prática maléfica da corrupção desapareça da cena da vida cotidiana. Se ela existir, que seja a exceção, não a regra.
A reação positiva dos poderes constituídos só, não basta. Derrubar a PEC 37, por exemplo, não é tudo. Mais importante do que isso é anotar o nome do seu autor, pois o texto é um atentado à democracia. Que não mais se dê a ele mandato algum. E assim seja feito com os demais traidores que estão aí e com todos os que vierem.
A voz das ruas tem que se transformar em voz das urnas. É ali que o povo educa de fato os seus líderes. Eles dançam conforme a música.
E nós precisamos tocá-la.