ARTICULISTAS

Estádio Edson Arantes do Nascimento - Rei Pelé

Luiz Cláudio dos Reis Campos
Publicado em 23/07/2026 às 19:18
Compartilhar

Tem gente que fala: “eu nunca vi o Pelé jogar”. E daí? Quem viu Mozart ou Bach não está aqui para testemunhar. Simplesmente não necessitam testemunhos presenciais, são gênios imortais, atemporais, perenes. Atravessam séculos e permanecem no Olimpo. É lá que Pelé está. O Deus da bola, indiferente aos hereges, é como Zeus, o rei dos deuses, comandante supremo, indestronável. Que os amantes do futebol sejam politeístas e escolham suas divindades com total liberdade e sem necessidade de indulgências, o equívoco não é taxado com penitência. É a tônica de Pelé, o clemente. Se de fato existe a infalibilidade papal, o argentino Jorge Mario Bergoglio, torcedor fanático do San Lorenzo de Almagro, que um dia se tornaria papa Francisco, ao ser indagado quem era o melhor, Maradona ou Messi, Sua Santidade respondeu: eu acrescentaria um terceiro: Pelé, o grande senhor. Naquele instante, a infalibilidade papal fora inquestionável. O portenho não se rogou diante da escolha que lhe ofereciam por dois compatriotas e apontou sabiamente para o soberano. Fez justiça, com altivez e isenção, reconhecendo Pelé o que é Pelé: uma majestade. Por falar em majestade, foi Nelson Rodrigues quem primeiramente o chamou de Rei, em 1958, quando tinha apenas 17 anos. “Pelé anda em campo como uma dessas autoridades irresistíveis e fatais, dir-se-ia um rei”. “Põe um Pelé em qualquer rancho e sua majestade dinástica vai ofuscar toda corte em derredor”. Nelson sempre fará falta, mas atualmente e principalmente na Copa do Mundo seria essencial no combate mordaz às comparações que insistem em fazer. Não é por menos que a expressão “complexo de vira-latas” é dele e se apropria perfeitamente. O que falta ao Brasil para reverenciar Pelé à altura de sua importância e significado? Alguns dirão, já faz tempo que Pelé esteve no seu auge e as novas gerações pouco ou nada sabem sobre ele. Argumento absolutamente injustificável. Há mais razões sociológicas que a nossa vã percepção possa considerar. Fosse Pelé branco como Senna, talvez tudo seria diferente e mais intenso. É uma hipótese não desprezível que pode virar tese. A relação da litorânea Nápoles com Maradona é de pura devoção, vai muito além do esporte. Idolatria que virou nome imortalizado. O Estádio San Paolo passou a se chamar Estádio Diego Armando Maradona (Nápoles, Itália). Uma história que já virou filme e encanta o Mundo. E na litorânea Santos existe um Estádio chamado Urbano Caldeira, mais conhecido como Vila Belmiro. Um detalhe que já fala por si só. O Brasil tem com Pelé duas dívidas históricas. A coletiva, multissecular, dos antepassados do Rei, e a particular, que não retribui e reconhece à altura a importância de Pelé, que ultrapassa o futebol e deu identidade cosmopolita ao país.

Assuntos Relacionados
Compartilhar
Logotipo JM Magazine
Logotipo JM Online
Logotipo JM Online
Logotipo JM Rádio
Logotipo Editoria & Gráfica Vitória
JM Online© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por