ARTICULISTAS

Jorge Nabut – O arauto da cultura e da arte

Jorge Abdanur Estephan
Publicado em 13/03/2024 às 18:55
Compartilhar

Contava ele 10 anos quando eu nasci. Minha mãe era irmã da mãe dele, a querida tia Mariana Abdanur Nabut. Ambas tinham um relacionamento extremamente próximo. Nossas famílias sempre estavam reunidas. Quando comecei a aprender a falar, eu não conseguia pronunciar Jorge Alberto. Daí eu balbuciei Lelé. De lá para cá, minha saudosa mãe, minha irmã, minha esposa, meus filhos e respectivas noras e eu só o chamávamos de Lelé.

Aprendi, principalmente com Lelé, que o homem pensa. E pensando cria e age.

Como poucos, ele sempre colocou em prática o dom que Deus lhe deu, pois, ao longo de sua vida, demonstrou que a força do homem é a palavra. Esta palavra que, no pensamento de Heidegger, “é a morada do ser”. É por ela que a atividade mais alta se exprime: o pensamento.

Certa vez, Jesus perguntou a Pedro, por três vezes, se o amava. E ouviu do Apóstolo três vezes a convicta e certeira resposta, plena de sinceridade. Parece que certo dia o mesmo Senhor bateu à porta de Jorge Alberto, ali nas alturas da rua Marquês do Paraná nº 2, defronte a antiga e emblemática Gameleira, e perguntou-lhe: “Jorge Nabut, tu me amas mais que os outros?”.

E Jorge respondeu: “Tu sabes tudo, Senhor; Tu bem sabes que te amo”. Então, o Divino Mestre conferiu-lhe difícil e fascinante missão: “Jorge Alberto, toma sob teus cuidados a cultura, a arte e o patrimônio histórico de Uberaba”. A partir daquele dia, ele se fez o Arauto do Jornalismo, da Arte e da Cultura uberabenses, expressando seus dons e emoções ao divulgar a história e as tradições de uma cidade e região. Jorge é imortal, já sabíamos. Mesmo assim, isso não diminui a tristeza de perder o convívio com ele através de um vínculo familiar amoroso e com sua incessante produção literária e jornalística, durante décadas. Inteligente, carismático, crítico e observador ímpar, todos que o conheciam vão guardar suas “tiradas” sábias impregnadas de fina ironia que permeavam seu cotidiano. Dom Benedicto de Ulhôa Vieira nos ensinou que “A morte não é o fim. É passagem. É início da vida que não acaba. É luz nova que acende na visão de Deus”. Jorge Alberto passou pelo túnel da morte para chegar à vida. A esperança cristã que brota da fé nos conforta nesse momento de saudade.

Senhor, dá a este seu filho querido, nosso irmão, a permanente bênção da missão cumprida!   

 Jorge Abdanur Estephan

Engenheiro, de São José do Rio Preto, SP, para Uberaba, MG

Assuntos Relacionados
Compartilhar

LEIA MAIS NOTÍCIAS

Charles Thon

Tiradentes - Baseado em Não de Leite

04/07/2026 às 11:08
Guido Bilharinho

Filmes de Ficção Científica (VI): Alphaville

04/07/2026 às 11:07
Nilson de Camargos Roso

Normose

03/07/2026 às 18:14
Dom Paulo

Ato de simplicidade

03/07/2026 às 18:13
Diógenes Pereira da Silva

A realidade silenciosa dos policiais veteranos

03/07/2026 às 18:11
Fúlvio Ferreira

Desacelere

02/07/2026 às 17:46
Karim Mauad

“EnvelheSer”

01/07/2026 às 18:34
Jeane Queiroz de Oliveira

Nem toda aposta termina no apito final

01/07/2026 às 18:31
Ani e Iná

Efeito casulo

01/07/2026 às 18:30
Diógenes Pereira da Silva

A Copa e a desigualdade que as arquibancadas revelam

30/06/2026 às 18:11

Nossos Apps

Redes Sociais

Razão Social

Rio Grande Artes Gráficas Ltda

CNPJ: 17.771.076/0001-83

JM Online© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por