Era uma manhã chuvosa. Todos estavam tendo dificuldades
Era uma manhã chuvosa. Todos estavam tendo dificuldades para chegar aos locais de serviço. Ao correr por uma viela, na tentativa de fugir da chuva, percebi um clarão e um descontrole total do meu corpo. Acordei num ambiente estranho. Uma sala com misturas de tecnologias avançadas e raízes que se moviam. De repente, adentrou a sala um grupo de Seres estranhos. Compridos, sem pelos no corpo e com suaves toques ao solo. Fui, então, apresentado ao destino que me pregava uma enorme peça. Eram alienígenas! Estava sonhando – pensei aflito e desorientado. Mas, logo percebi a verdade. Começaram a me observar como cirurgiões. Imaginei-me como um animal, pronto para ser dissecado. Mas, para minha própria sorte, os alienígenas me tiraram de uma espécie de cama, e fui colocado num compartimento de vidro. Fui deslocado para uma sala de controle onde pude perceber que minha viagem era intergaláctica. O desespero tomou conta de mim, mistura de sensação de morte com o desespero de viver escravizado. Fomos chegando a um planeta com cinco luas. Incrivelmente lindas. Como podia admirar meu futuro incógnito? De cara, fiquei estarrecido ao perceber um enorme engarrafamento das naves que se aproximavam ao planeta. Interessante e terrivelmente deselegante a forma como aqueles alienígenas não respeitavam as preferenciais. Muitos desviavam dos asteroides para passar, com extremo egocentrismo, aqueles que lá permaneciam nas vias normais de entrada. Alguns digladiavam-se! Na cidade, percebi que os Seres alimentavam-se e largavam os restos mortais pelo caminho. Uma verdadeira ausência de bons costumes. Neste momento, já tinha a impressão que seria cruelmente destroçado naquele orbe. Pensei na minha família, na calmaria do meu mundo, na educação do meu povo e na formação que os Seres Humanos tão bem cultuavam. Continuei meu processo de observação. Chegamos a um prédio enorme. Destoava das demais construções, o que me levou a crer se tratar do “governo” deles. Interessante ver e, apesar de não compreender o que falavam, percebia que trocavam favores entre si. Cochichavam, recebiam favores interesseiros e logo mudavam de opinião. Que absurdo! Pensei: “No meu planeta a política não funciona com troca de favores”. Que dó passava a ter daqueles Seres que se vendiam, não respeitavam suas leis, não zelavam pela limpeza de sua morada, além dos absurdos no que pude chamar de trânsito. Num piscar de olhos vi uma fresta na gaiola. Fugi! Foi que vi uma alavanca com sinais estranhos, mas, que antecedia uma espécie de portal. Pensei: “É melhor morrer desintegrado, do que ser escravizado por Seres completamente individualistas”. Puxei a alavanca e um portal se abriu! Entrei. Parecia um turbilhão. De repente, tomei consciência que havia caído numa espécie de rio. Com a Graça de DEUS havia chegado à terra de águas cristalinas. Que bom voltar para casa e para o comprometido e ético povo terreno. Ufa! Ainda bem que as experiências vividas foram de outro planeta! Ainda bem...
(*) Capitão da Polícia Militar de Minas Gerais
5ª Região de Polícia Militar
Autor do livro COMUNIDADES BLINDADAS