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Uberaba, 18 de julho de 2019 -

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Sumaya Figueiredo

O que eu estava falando mesmo?

Você possivelmente já ouviu esta pergunta ou talvez a tenha feito algumas vezes. Quem sabe tenha participado de um diálogo parecido com estes:  “Qual é o nome daquele filme? Daquele que até ganhou o Oscar?” Ou: “O que eu vim fazer na cozinha, mesmo? Ou, onde coloquei as chaves do carro? Ou, será que já tomei o remédio?” Diante desses acontecimentos, logo costuma surgir outra indagação: “Será que estou perdendo a memória?”

O esquecimento é, sem dúvida, uma grande fonte de preocupação das pessoas em geral, fundamentalmente quando vai se aproximando o envelhecimento. Ah, antes que eu me esqueça”... Gostaria de lembrar que todos nós temos lapsos de memória. O ritmo acelerado da vida, a pressa... Tudo isso também pode ser em parte responsável por muitos dos esquecimentos, que na maioria das vezes, é mais falta de atenção do que de memória. “Como  é mesmo o seu nome? Tá na ponta da língua, mas não consigo me lembrar.” Por vezes o diálogo com o(a) companheiro(a) fica assim: -“Sobre o que nós estávamos falando mesmo?

- Você dizia que encontrou com o... Esqueci o nome ...  é , é... -Não, antes disso. -É, É, É..., gente, mas como fui me esquecer? Ah, deixa para lá.”

São muitas as especulações existentes sobre o tema memória e também muitos estudos consistentes. A maioria deles elenca entre outros fatores o cansaço, a dificuldade para dormir bem, a depressão, o estresse, o sedentarismo, a falta de estímulos para o cérebro (exercícios neuropsicológicos), o estilo de vida após a aposentadoria, a mudança proveniente do processo de envelhecimento, ou patologias diversas. Portanto, o esquecimento apesar de comum entre todos nós pode também ser um sintoma de que algo não vai bem com o nosso cérebro.

Definir a sua causa é importante, pois pode não ser patológico, mas e se for? Sobre isso, conta uma outra paciente que após ter sido avaliada pelo médico e passado pela avaliação neuropsicológica: ”Hoje eu sei que tenho lapsos, mas sei também que não é Alzheimer. Já não perco mais noites de sono, pois achava que estava também ficando com Alzheimer, como minha mãe.”

Atualmente existem muitas medicações e tratamentos não medicamentosos que podem  ajudar a melhorar a performance cognitiva. Após a avaliação médica é comum o profissional encaminhar seu paciente para avaliação neuropsicológica. Esta é uma atividade da Neuropsicologia, que busca auxiliar o diagnóstico diferencial; estabelecer a presença ou não de disfunções cognitivas; observar o nível de funcionamento operacional; localizar alterações sutis; contribuindo para o melhor planejamento preventivo e remediativo, além de possibilitar o acompanhamento da evolução do quadro patológico, em relação aos tratamentos medicamentosos, cirúrgicos e de reabilitação. Ela beneficia crianças, adultos e idosos.

É uma atividade realizada pelo Psicólogo,  com especialização em Neuropsicologia e que tenha  o reconhecimento pelo Conselho de Psicologia, como Especialista em Neuropsicologia  (REGULAMENTAÇÃO 002/2004 DO CRP).

Após a avaliação Neuropsicológica, quando é necessário, o paciente pode se beneficiar da Reabilitação Neuropsicológica. A Reabilitação Neuropsicológica tem como objetivo planejar e implementar intervenções necessárias junto ao paciente, cuidador e equipes interdisciplinares, visando a melhora, compensação ou adaptação  das dificuldades, tanto no plano cognitivo como no comportamental. As intervenções são baseadas em técnicas e procedimentos específicos, aplicados a metas pertinentes a cada paciente e suas dificuldades, facilitando a inserção ou re-inserção do mesmo na comunidade, quando possível, ou ainda, na adaptação individual, familiar e do meio ambiente, quando as mudanças nas capacidades do paciente foram mais significativas.

Para pessoas saudáveis existem exercícios para melhorar e manter em alta a performance cognitiva.

 

(*) neuropsicóloga

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