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Uberaba, 23 de maio de 2019 -

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Márcia Moreno Campos

De mãos dadas

Um estudo de pesquisadores do Instituto Pasteur na França e da Universidade de Haifa, em Israel, registrou as ondas elétricas no cérebro de duas pessoas ao mesmo tempo e descobriu que, quando elas se davam as mãos, seus cérebros se sincronizavam. É a ciência provando o que nossa intuição sempre apontou. O ato de se dar as mãos une as pessoas, solidarizando-as nos mais diferentes propósitos. Demonstra carinho, cooperação, amor e união de forças para enfrentar os percalços da vida. Sabe-se, inclusive, que ter uma pessoa querida segurando a mão em momentos de dor é um ótimo analgésico. Outros estudos já mostraram que a sensação de receber compreensão ativa o sistema de recompensa que traz prazer. Lembrei-me disso quando, perplexa com a tragédia na escola Raul Brasil, em Suzano, assisti ao depoimento de uma jovem que, diante do ataque furioso com arma de fogo, não soltou a mão de uma colega portadora de um problema cardíaco congênito, enquanto implorava ao assassino que lhes poupasse a vida. Recebeu três tiros e sua amiga um, todos de raspão, e no momento em que o atacante pegou o machado para desferir os golpes finais, ele simplesmente desistiu. 

No livro “Homo Deus”, seu autor Yuval Noah Harari cita com evidências os casos na história da humanidade em que a cooperação em larga escala foi fundamental no êxito de empreitadas. “Quase invariavelmente a vitória vai para aqueles que cooperam melhor”, diz ele. Sem cooperação e flexibilidade não avançamos. São esses os pontos fundamentais para alcançar a tão almejada paz: ser cooperativo e flexível. 

Infelizmente, um clima de guerra tomou conta do nosso Brasil. Os três Poderes da República, que deveriam conviver de forma ordeira e harmônica, não conseguem se entender. E a população toma partido alheia ao fato de que, se não houver cooperação, não haverá crescimento. Uns insistem em impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal; outros agridem de forma pesada o presidente da Câmara dos Deputados, e há, ainda, uns que culpam o Presidente da República por esse estado de coisas. No final, eles acabam se entendendo em lautos almoços e jantares, enquanto nós perdemos tempo em vãos combates pelas redes sociais ao invés de cobrarmos, sem paixão, que eles cumpram seus papéis institucionais como representantes que são do povo brasileiro. Ou nos damos as mãos, ou não veremos luz no fim do túnel.

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