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Uberaba, 20 de maio de 2019 -

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Márcia Moreno Campos

É castigo

 Muitos acreditam que todos nós nascemos com um destino traçado. Alguns têm mais sorte que outros que passam por difíceis provações, e nesses casos costuma-se especular o que essas pessoas fizeram para merecer tal sina. Tentando entender as dificuldades enfrentadas pelos comerciantes de rua da nossa querida Uberaba, todos gente de boa fé, concluí que só pode ser castigo.  Vejamos.

Todo comércio traz embutido na própria atividade as dificuldades a ela inerentes. Achar um bom ponto, visível, de fácil acesso, bons produtos, funcionários preparados e satisfeitos, preço compatível com o mercado consumidor, saber comprar para não ficar com estoque encalhado, conquistar o cliente, inovar sempre, facilitar o pagamento, etc, etc. Quando todos esses fatores são conquistados a duras penas, eis que vem o Poder Público e derruba tudo. Começou o martírio com o chamado Projeto Água Viva, lá atrás, que rasgou ruas da cidade interditando o trânsito por tempo muito mais do que o suportável pelos assustados comerciantes de rua. Sem que se vissem livres desse malfadado projeto, surgiu concomitantemente a ele, a implantação do BRT e suas estações feias no meio de avenidas, desviando o fluxo, causando transtornos e prejuízos. E dá-lhe tempo de obra, como se as contas a vencer pudessem esperar para serem pagas. E quando concluída, em atitude desrespeitosa, proibiram o estacionamento ao longo de avenidas onde bravos empreendedores depositaram esperanças abrindo suas portas. Logo tiveram que fechá-las, carentes de clientes que não achavam lugar para parar seus carros. 
Pausa. Será que agora dava para acreditar que tudo ia voltar ao normal, pelo menos para aqueles que não foram afetados pelos traçados do BRT? Que nada. Inventaram de revitalizar o centro da cidade, o calçadão e a praça Rui Barbosa, melhorias importantes. Porém,  sem que os interessados fossem ouvidos,  executaram projetos eivados de erros e acrescidos de  aditivos contratuais, que além de gastar mais tempo com atividades comerciais paralisadas, redundaram em obras que não conseguem barrar a água da chuva, canalizando-a para dentro das lojas. Mais prejuízo. Então, sob a desculpa esfarrapada de atender demandas de comerciantes do centro, a Prefeitura adotou o sistema de estacionamento rotativo em quase todas as ruas da cidade. Ora, que se instalassem apenas nos locais solicitados. Os clientes sumiram desconfiados. As contas a pagar não. 
Lutando contra tudo isso, incluindo a insegurança constante que os obrigam a arcar com a aquisição de toda sorte de equipamentos capazes de dificultar furtos e roubos, seguem os comerciantes, verdadeiros heróis em sua luta diária pela sobrevivência. Minha solidariedade.  
 
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