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Uberaba, 20 de maio de 2019 -

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Márcia Moreno Campos

Ídolos

Desde criança somos estimulados a ter ídolos. Na música, no esporte, na política, nas artes em geral e na religião os pais transmitem aos descendentes suas preferências e idolatrias que nem sempre são aceitas pelos rebentos, ávidos de independência. Admirar pessoas, seguir líderes, almejar o mesmo sucesso de quem está no topo faz parte da rotina saudável da vida. Porém, a idolatria é o amor excessivo, a admiração exagerada, muitas vezes cega. Aquele que idolatra alguém se distancia desse alguém, pois o ídolo é visto como um ser superior e diferenciado, e, portanto, inatingível. O que me admira nessa prática é a falta de conhecimento que os adoradores têm da natureza humana. Quem se conhece intimamente sabe das fraquezas, da humanidade, da falibilidade inerente a todos nós. Como, pois, supor que existem pessoas diferenciadas, infalíveis, superiores, algo até místico, desprovidas de dúvidas e cheias de certezas sobre tudo. Assim são os ídolos. Tratar seres humanos como se fossem deuses é no mínimo arriscado. Conseguir despir um humano de vaidade, essa, sim, é tarefa divina. O que torna especial alguns entre nós é a bondade, o talento e a disciplina que os distinguem em várias áreas, tornando-os merecedores de admiração e não idolatria. 

Continuamente assistimos quedas de ídolos. O que há de mais perverso quando isso acontece é a desilusão que se propaga como onda, atingindo instituições sem se limitar unicamente à pessoa objeto da decepção. Por exemplo, se a frustação é com algum religioso, a tendência é se voltar contra a religião que ele representa. Se o ídolo que cai é político, generaliza-se e excomunga-se a política em geral. E assim os ídolos vão se renovando e caindo até o dia em que o ser humano se enxergar por inteiro. Estamos longe, muito longe da perfeição. Melhor acreditar na força da união, do trabalho constante, da vigilância das atitudes. Melhor ter fé em Deus do que em nossos semelhantes imperfeitos.

Desejo a todos um Feliz Natal, de paz, harmonia entre as famílias e muita solidariedade entre os homens. Acreditar é importante, questionar é fundamental.

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