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Uberaba, 21 de julho de 2019 -

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Márcia Moreno Campos

Estelionato às avessas

O chamado estelionato eleitoral ocorre quando um candidato defende uma plataforma na campanha e, ao ser eleito, adota atitudes opostas. Fernando Collor em 1989 se elegeu garantindo que não haveria confisco da poupança e esta foi sua primeira medida. Fernando Henrique Cardoso nunca afirmou antes de eleito em 1994 que aprovaria a reeleição e tampouco explicitou o que faria em relação ao câmbio. Lula, quando subiu a rampa do Planalto, representando um partido de esquerda tido como o mais ético entre seus pares, não deixou transparecer que alguns anos depois o país conheceria o mensalão – e que isto seria apenas o começo do que estava por vir. Dilma Rousseff, eleita como a mãe do PAC e reeleita sem mencionar rombos homéricos no orçamento, acabou sendo afastada do cargo por praticar pedaladas fiscais que visavam esconder dos balanços oficiais, o que ela mesma tinha escondido do eleitor. São inúmeros os desencontros entre o que é mostrado e prometido antes da eleição e o que é praticado depois. Ser enganado parece que já faz parte da cartilha do eleitor. 

Nessa última eleição não foi diferente. Fórmulas mágicas foram tiradas da cartola e apresentadas como soluções de fácil aplicação e perfeitamente viáveis, mesmo por aqueles que, conhecendo o sistema político brasileiro, sabem das dificuldades para se aprovar medidas amargas que atingem classes específicas. O período de campanha eleitoral funciona como um bálsamo ou uma espécie de anestesia na vida das pessoas. O único objetivo passa a ser eleger o seu candidato. Para tanto, tapam os olhos para a realidade e transformam sapos em príncipes e adversários em monstros. Quando o jogo acaba, a vida segue e com ela as mazelas, as contas a pagar, o desemprego, a gasolina nas alturas, os impostos injustos e a luta pela sobrevivência. Resta a esperança. 

Foi eleito para presidente um deputado federal tarimbado, já no seu sétimo mandato e com promessas caras à população. Acertadamente, acenou para a redução de ministérios, privatizações de empresas estatais, nomeações técnicas, reformas importantes e tolerância zero com a corrupção. Que se cumpram com louvor essas iniciativas. Por outro lado, ele hipnotizou o eleitor, pregando o fim do desarmamento, o extermínio da militância contrária a ele, retaliações à imprensa e o rompimento com pactos ambientais. São nesses pontos que desejo um estelionato às avessas, descumprindo-se as promessas com o aval do cidadão brasileiro, para que o Brasil siga no caminho da paz e da tolerância. É hora de recolher as armas e governar com sabedoria!

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