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Uberaba, 20 de julho de 2019 -

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Gustavo Hoffay

Os Intocáveis!

A julgar pelas recentes notícias, uma jogada de mestre e engendrada pelo candidato a bigovernador de Minas, Antônio Anastasia, uma trama se forma no Senado Federal para que a já bombardeada democracia tupiniquim volte a sofrer sérias ameaças, enquanto aguarda por um golpe de misericórdia. Na prática, o que deputados e senadores pretendem é controlar as atividades do Ministério Público, da Polícia Federal e da Polícia Civil para, desta forma, obterem acesso a dados que são de vital importância para o sucesso de investigações diversas e, inclusive, é claro, aquelas em que alguns deles são apontados na condição de autores ou coautores e o que serviria, principalmente, para anularem provas e iniciar procedimentos que tomariam a dianteira de qualquer decisão judicial que pudesse incriminá-los. Investigados, raivosos, amedrontados e odiados pela grande maioria dos seus compatriotas, políticos de “rabo preso” parecem desejar, de imediato, um regime autoritário e que eleve-os à cômoda condição de “intocáveis”, embebidos de fartos gozos e encantos que proporcionam a todos eles um arrebatamento, a partir da sua constante e compulsiva busca pelos píncaros do poder, considerando-se ainda, que o trajeto para alcançarem essa meta seria, sim, a sua intromissão em investigações e assuntos que nunca foram da sua alçada. Antes contrários a intervenções militares no governo da nossa pátria, e sob a alegação de um possível retorno aos tempos da ditadura, agora, aqueles mesmos parlamentares mordem o próprio rabo ao contradizer a sua ideologia política, se é que a tinham. Irredutíveis em seus posicionamentos e desde que não sintam-se ameaçados de não serem reeleitos, a sua ironia parece conduzi-los à formação de uma teoria do “tudo ou nada” e que lembra, ao menos de longe, a conspiração armada e posta em prática por alguns políticos, empresários e seus herdeiros em negócios escusos e sempre reunidos em rega-bofes promovidos por eles mesmos, em luxuosos resorts cariocas. Sabemos que não poucos políticos enxergam-se à beira de um colapso em função de ações da Polícia Federal e do Ministério Público. Agora, hiperapreensivos, aqueles que foram eleitos resolvem adotar severas medidas, que lembram atitudes antidemocráticas que eles mesmos, antes, vilipendiavam. Que Congresso é este que, devido a atitudes diversas e criminosas de alguns dos seus ocupantes, consegue tirar-nos a alegria de torcermos freneticamente pela nossa seleção em uma Copa do Mundo, de pintar ruas e muros, levantar a poeira e cair na folia a cada gol canarinho? Certamente não é o Congresso que desejávamos, embora a nossa teimosia há de persistir na busca por novos e realmente dignos porta-vozes dos interesses de quase duas centenas de milhões de brasileiros.

Gustavo Hoffay
Agente Social

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