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Uberaba, 20 de julho de 2019 -

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Ilcéa Borba Marquez

Mudanças impactantes

Para comemorar os três primeiros meses da nova liderança nacional, várias análises foram feitas e divulgadas, dentre elas pesquisas de opinião sobre o novo governo. No entanto, percebi uma grande lacuna que gostaria de preencher com este texto: as vicissitudes das mudanças. 

Não há dúvidas que o resultado das eleições passadas traz no seu bojo um descontentamento com a anterior situação brasileira no que se refere à corrupção nunca vista e nem mesmo imaginada pelo povo, e uma esperança de mudança significativa em direção ao rumo possível das atividades político-partidárias, ou seja, defesa do patrimônio público confirmada pela lisura nas definições de projetos e ações executivas. Enfim, o povo escolheu dar vez ao grupo que prometia uma retomada da ordem e da honestidade. O resultado das urnas exige mudanças e agora espera ações que confirmem seus pedidos. A “Lava Jato” deu o pontapé inicial para o surgimento de um Brasil Novo, livre dos excessos de encargos tributários, existentes apenas para manter um sistema de desvios e distribuição de verbas aos apadrinhados. Ao brasileiro em sofrimento, a oferta da verdade e da paz de sua alma!

Esperar mudanças não significa estar preparado para elas, vejamos por que: o novo define-se pelo nunca visto do desconhecido, para o qual ainda não temos respostas adaptadas remetendo-nos à situação primeva do nascimento quando, ao entrar no mundo, a criança é introduzida de fato num espaço onde os “outros” falam, chamam por ela, a interpelam, lhe fazem pedidos, a ofendem, etc. Assim, imediatamente, é colocado em funcionamento um processo que submete o desejo do outro (assentado no poder) arrancando a criança da onipotência do seu próprio desejo. Desde então a criança percebe-se, realisticamente, como controlada pelo desejo do outro sem a contrapartida de exercer por sua vez algum tipo de força poderosa sobre ele. Ao infante só resta a oportunidade de apropriar-se do que não lhe pertence pois é do outro – já tem dono. A matriz da sociedade humana se constitui no momento desta segunda substituição – quando o sujeito se apropria do objeto que do seu rival recuperando assim um bem que lhe pertence.

Ninguém duvida que “a galinha do vizinho é mais gorda e viçosa”; que “o seu irmão é mais amado pelos pais”; que “ontem é melhor do que hoje”; que “aquele é mais feliz que este”. E, ainda nem falamos sobre o que muitos perdem quando um novo chega. O momento político atual é o que podemos realmente aceitar de mudança para que o mesmo continue. Como vamos burlar este tempo moderno de forma que possamos manter nossos privilégios já conquistados. 

(*) Psicóloga e psicanalista
e-mail –
ilceaborba@gmail.com

 

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