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Uberaba, 20 de julho de 2019 -

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Vinícius Árabe

AVENIDA PAULISTA

 AVENIDA PAULISTA

"A Paulista chora aos passos descoordenados de um impuro. Sim, com uma foto tirada do excelentíssimo portador de todas as informações mundanas e celestes tira a sensação que tive ao caminhar por seus passeios pela noite. As lágrimas não foram derramadas e o sorriso não foi desfeito, tive a plena sensação de que o que aconteceu deveria acontecer. O grande PONTO FINAL em um ciclo que chegou ao fim para o começo de um novo, o passado deve ficar para trás.


Vejo a vida como uma mola contraída ao máximo: a cada volta, ciclo, circulo, passamos pelo mesmo ponto, pela mesma situação, pelos mesmos problemas e soluções, mas a passada por esse ponto não se compara ao anterior, pois está acima dele, te ensina uma coisa nova, mas claro não estamos preparados para isso. Levamos a pancada e precisamos nos reerguer, levantar a cabeça e seguir. A maldição do otimismo, maldito o seja e obrigado por esta bênção. A capacidade de ver o positivo em tudo, saber que de todo o mal o bem surgira com uma nova lição, saber que ao fim da queda encontra-se a escada para o topo, e assim cairmos novamente. Cada passo que damos, mesmo que descoordenados, é um degrau acima. Mas como chora a Paulista, com suas luzes e enfeites que enganam os fracos olhos dos que possuem o dom de enxergar, enganados por suas belas imagens. Carros correm em suas veias como lágrimas que param no sinal vermelho, permitindo os sorrisos transeuntes a dançar em suas faixas, as ciclovias bombeando o sangue puro da avenida asfaltada em tristezas concretas de suas calçadas. Pés descalços. Danças nuas de puro éter e essência.

Olhares curvados e desatentos ao redor, que quando focados ao novo se impressionam com o desconhecido. A música soprada de corações que procuram reconhecimento. Um passo de balé vale mais que dez reais, mesmo que não compre o pão no dia seguinte. A impureza da cidade porém, não deixa impuro o garoto que dana por ali, pois ele, protegido em suma imperfeição, conhece a si mesmo como sua própria mãe geradora, e sabe assim se transportar para uma esfera adjacente à realidade, uma esfera pura e delicada que se rompe ao pequeno ruído de destruição e dúvida do próprio ser.

Deixe-se levar por seus guias de luz descriminados pela cultura importada, deixe-se levar pelos pés de seus santos abençoados, que eles te ensinam a dançar com o vento, com o fogo. Largue-se de si para mergulhar e boiar na terra, na água, e chore rios de lama como vem fazendo nossa Pátria Mãe BRASIL. Fragilizada pela ganância, apunhalada pela gula do poder dos que lutaram, mas se corromperam. Lágrimas que choram uma Paulista ao abrir o sinal verde, e escorrem as lágrimas de sangue que vão ao horizonte e não voltam mais. Nunca mais. A Paulista querida e odiada, a Paulista garoa, choro eterno, quente e frio. Choro garoto de um céu perdido. Choro garota de uma cidade escura. Cidade cinza, em expansão eterna. Cidade do inconsciente. Eterno Platão perdido no labirinto iluminado. “Eternamente Paulista.”

Vinícius Árabe, Ator radicado em São Paulo.

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